O PROJETO DA GRAMÁTICA PEDAGÓGICA DO NHANDEWA-GUARANI Fabiana Raquel Leite Maria Eugênia Arantes Gonçalves O Nhandewa-Guarani (registrado por Curt Nimuendajú na década de 1910, sob a designação de Apapocuva) encontrava-se em franco processo de obsolescência durante a segunda metade do século passado. Esse processo foi interrompido quando, por interesse da comunidade do (então) Posto Indígena Nimuendajú, e por ações que começaram ao fim da década de 1990, iniciou-se ali um movimento de recuperação e revitalização linguística. Esse movimento se desenvolveu mais intensamente nos últimos sete anos, com a realização de oficinas de língua e cultura Nhandewa-Guarani no escopo do Programa de Revitalização das Línguas Indígenas do Estado de São Paulo. Um dos objetivos centrais das oficinas é o fortalecimento do idioma através da retomada de seu uso oral e escrito, que se dá a partir do contexto escolar, com a elaboração, produção e publicação de materiais didáticos em Nhandewa-Guarani. O registro feito neste capítulo tenciona contribuir para a literatura sobre revitalização linguística e pesquisa de documentação, para isso compartilhando as experiências de trabalho e as vivências de um programa de revitalização que foi pensado de forma colaborativa desde o planejamento inicial até a avaliação final dentro da comunidade Nhandewa-Guarani. LEITE, F.; GONÇALVES, M. E. A. O projeto da Gramática Pedagógica do Nhandewa-Guarani. In: D’ANGELIS, W. (org.). Revitalização Linguística: o que é? Como fazemos? Campinas: Curt Nimuendajú:Kamuri, 2019. Pp. 75-91