SÍSMICA 2010 8º CONGRESSO DE SISMOLOGIA E ENGENHARIA SÍSMICA 1 DANOS EM PAREDES DE ALVENARIA DE FACHADA EM EDIFÍCIOS CORRENTES DE BETÃO ARMADO: LIÇÕES DO SISMO DE ABRIL DE 2009 DE L´ÁQUILA ITÁLIA VICENTE, R. Professor Auxiliar Universidade de Aveiro Aveiro - Portugal RODRIGUES, H. Aluno de Doutoramento Universidade de Aveiro Aveiro - Portugal VARUM, H. Professor Associado Universidade de Aveiro Aveiro - Portugal COSTA, A. Professor Catedrático Universidade de Aveiro Aveiro - Portugal MENDES DA SILVA, J.A.R. Professor Associado Universidade de Coimbra Coimbra - Portugal RESUMO Neste artigo relacionam-se as exigências de desempenho e estabilidade com as técnicas de construção de paredes em alvenaria da envolvente de edifícios correntes de betão armado. Em países europeus, a envolvente vertical dos edifícios é frequentemente constituída por paredes não estruturais de alvenaria, usando blocos perfurados verticalmente, ou ainda mais correntemente tijolos cerâmicos de furação horizontal. Estas paredes são tipicamente apoiadas e confinadas por uma estrutura de betão armado, constituída por pilares/paredes e vigas/lajes. Como estas paredes não têm uma função resistente, a sua influência sobre o comportamento global da estrutura é ignorada no dimensionamento das estruturas dos edifícios. Por outro lado, as suas condições de ligação à estrutura principal, normalmente, carecem de uma adequada pormenorização em projecto e a sua construção é deficiente. Em consequência, este tipo de elementos não-estruturais, são particularmente sensíveis às exigências de deformação e aceleração que lhe são impostas quando os edifícios são sujeitos à acção sísmica. Um das causas mais comuns para a instabilidade e inadequado desempenho das paredes de alvenaria da envolvente exterior face acções sísmicas é o reduzido apoio destas paredes sobre a laje ou viga periférica. Esta reduzida largura de suporte é actualmente uma consequência da necessidade de correcção das pontes térmicas planas. Com esta intenção, os projectistas e construtores revestem a estrutura externa localmente, de modo a aumentar a sua resistência térmica, minimizando o desenvolvimento de patologias. No entanto, se não foram acauteladas as devidas medidas em projecto e obra, comprometem a estabilidade global dos painéis de alvenaria da envolvente, sobretudo aquando da ocorrência de um sismo. No sismo que afectou a região de Abruzzo, em Itália, em 6 de Abril de 2009, os danos não-estruturais foram muito expressivos, principalmente o colapso para fora do plano dos panos exteriores das paredes duplas em alvenaria de tijolo, comprovando o anteriormente exposto. Os documentos técnicos e a normativa internacional (Eurocódigo 6, Eurocódigo 8, FEMA-356 e ATC-40) alertam para a necessidade de aplicação de critérios de verificação das deformações e dano nestas paredes não- estruturais. Neste artigo são propostas medidas para melhoria do desempenho, no plano e fora do plano, das paredes duplas, garantindo a sua integridade e estabilidade face a acções horizontais. 1. INTRODUÇÃO 1.1 Âmbito Elementos não-estruturais, como é o caso de paredes de alvenaria de enchimento, parapeitos, varandas, chaminés, etc, bem como infraestrurturas sofrem distorções e deformações, ou até podem comprometer vida humana no caso de queda e condições de funcionamento do edifício. O sismo de Loma Prieta (1989) e Northridge (1994) são bons exemplos de avultadas perdas economicas associadas a danos não estruturais (30