A Concepção de Universo entre Alunos do Ensino Médio de São Paulo e suas Fontes de Aquisição Marcos Aurélio Alexandre de Araújo 1 , Daniele Cristina Nardo Elias 1 , Luiz Henrique Amaral 1 , Mauro Sérgio Teixeira de Araújo 1 , Marcos Rincon Voelzke 1 Universidade Cruzeiro do Sul - UNICSUL 1 Resumo Nesse trabalho procurou-se identificar por meio de um questionário as concepções de Universo, de espaço e tempo que sustentam a visão de mundo de um grupo de 270 estudantes de Ensino Médio, pertencentes a três escolas de São Paulo. As questões relacionadas aos conhecimentos prévios dos estudantes permitiram constatar que há pouco conhecimento acerca dos temas investigados, destacando-se que apenas 20% dos alunos foram capazes de relacionar as semanas com as fases da lua, enquanto 28% associaram as estações do ano à inclinação do eixo de rotação da Terra e 23% tinham noções das distâncias entre objetos celestes próximos da Terra. Enquanto 56% conseguiram relacionar o Big Bang com a origem do Universo, verificou-se que 37% reconheciam ano-luz como unidade de distância e 60% concebiam o Sol como uma estrela. No que se refere às fontes de aquisição que proporcionaram esses conhecimentos, apesar de 60% dos alunos indicarem a escola como principal fonte dos conhecimentos de Astronomia, verificou-se claramente que para a maioria dos alunos seus conceitos ainda são inadequados, havendo necessidade de aprimoramento da abordagem desses conteúdos, pois apesar de popular, a Astronomia ainda é veiculada de maneira pouco esclarecedora e com imprecisões. Nesse contexto, são discutidas algumas possíveis contribuições que podem ser dadas para o ensino de Astronomia pelo uso das ferramentas computacionais nas escolas. Palavras-chave: Concepção de Universo, Astronomia, Ensino Médio. 1. Introdução A Astronomia é uma das mais acessíveis das ciências, apresentando um grande volume de novas descobertas de interesse público. Em nível mais elementar, assuntos relacionados ao espaço, tempo e memória são alguns dos tópicos de ciências mais populares e podem ser vinculados com outras ciências, tais como, Física, Biologia, Química, Matemática e Tecnologia. Contudo, a Astronomia ainda vem sendo apresentada como uma coleção de fatos desvinculados de qualquer discussão de como foram descobertos, sem a devida contextualização histórica, social e cultural, de modo que a maior parte dos alunos a percebem assim como as outras ciências como algo pronto e acabado (Pierson e Hosoume, 1997, Gregório, 2000), sendo muitas vezes ensinada com o uso de imagens de boletins de imprensa que nem sempre são destinados ao ensino e, não raro, contendo imprecisões. Percebe-se que há determinadas idéias relacionadas à Astronomia que de tão proferidas acabam se tornando consenso, conforme destacam Medeiros e Monteiro (2001). Assim, assuntos relacionados às estações do ano e dia e noite, por exemplo, estão entre os temas que os alunos apresentam maior dificuldades em compreender (Falcão et. al., 1997). Além disso, os livros didáticos apresentam limitações e até mesmo distorções quanto à explicações de assuntos relacionados à Astronomia (Medeiros e Monteiro, 2001), o que dificulta ainda mais o ensino adequado dessa ciência. Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM) propõem que assuntos relacionados à Astronomia e Cosmologia devam ser ensinados na disciplina de Física, oportunizando formação mais completa que prepare os alunos para refletir sobre “...sua presença e seu lugar na história do Universo, tanto no tempo como no espaço, do ponto de vista da ciência” (Kawamura,