APLICAÇÃO DA TEORIA DE ESTABILIDADE DE AERONAVES PARA CERTIFICAÇÃO DE INTEGRAÇÃO DE CARGAS EXTERNAS EM AERONAVES MILITARES Eng. Marcus Vinicius Preisighe Viana 1 , Prof. Luiz Carlos Sandoval Góes 2 , Dr. Nelson Paiva Oliveira Leite 3 1 Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo (IPEV), São José dos Campos/SP, Brasil, eev-sn@ipev.cta.br 2 Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), São José dos Campos/SP, Brasil, goes@ita.br 3 Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo (IPEV), São José dos Campos/SP, Brasil, epd@ipev.cta.br Resumo: É tratado o desenvolvimento do procedimento e do planejamento da campanha de ensaios em voo para certificação de integração de cargas externas em aeronave militar. É realizada aplicação da teoria de estabilidade de aeronaves para obtenção dos parâmetros de avaliação da estabilidade dinâmica desta aeronave com a carga externa. Palavras-Chave: Ensaios em Voo, Estabilidade Dinâmica, Qualidades de Voo. 1. INTRODUÇÃO No mundo aeronáutico, principalmente no caso de aeronaves militares, ocorre freqüentemente a necessidade de integração de uma nova carga externa numa aeronave militar já desenvolvida e em operação. Para que este processo de integração produza resultados confiáveis e válidos sob o ponto de vista técnico, que garanta sempre a segurança de voo e a operação satisfatória, existem leis, normas técnicas e militares que padronizam a sua execução. Certificar significa dizer que o Projeto atende a uma Base de Certificação, que são especificações técnicas do projeto e requisitos. Requisitos são encontrados em Normas Técnicas (e.g. Militar – MIL) ou em legislação específica promulgadas pelas partes interessadas (e.g. Regulamentos Brasileiros de Homologação Aeronáutica – RBHA) e nos contratos. 2. PROPÓSITO Este artigo mostra a aplicação da teoria de estabilidade de aeronaves no processo de certificação de integração de cargas externas em aeronaves militares com a utilização de normas técnicas militares e o estudo de caso para obtenção da estabilidade dinâmica de uma aeronave militar em uma nova configuração de voo com carga externa integrada. O objetivo deste artigo é o estudo e o desenvolvimento experimental de um novo processo especialmente adaptado para a determinação das características da estabilidade e da resposta de aeronaves em termos de pequenas perturbações (e.g. turbulência) aplicadas a uma condição de voo estacionária e bem definida. Com isso pode-se medir o grau de estabilidade dinâmica da aeronave, que é definida como a tendência natural da aeronave, sem a intervenção do Piloto, de produzir forças e momentos que reagem a estas perturbações e que em algum tempo após a perturbação ter cessado, faça a mesma retornar para a condição inicial do voo ou em uma nova condição de voo estacionário. Tal comportamento pode ser formulado em termos de critérios de estabilidade dinâmica. Um critério de estabilidade dinâmica é definido como uma regra que divide o movimento perturbado das aeronaves em estável, neutralmente estável ou instável [1]. Num outro contexto, este critério pode ser explicitamente expresso pela relação entre freqüência e amortecimento. Esta interpretação pode ser encontrada em regulamentos de qualidade de pilotagem ou em especificações numéricas que determinam as qualidades de voo de uma aeronave militar. Tal interpretação permite a execução de ensaios quantitativos. 2.1. Objetivo das Campanhas de Ensaios em Voo Com base na Norma MIL-HDBK-1763 [2], que a partir daqui será chamada de Norma 1763, realizar os ensaios em voo aeromecânicos e funcionais necessários para a Certificação de Integração dos casulos A e B na aeronave militar X, em todo o envelope de voo, incluindo: • Integridade estrutural (IE) das cargas e dos sistemas de suspensão (Teste 252); e • Resistência das cargas sob condições de vibração prolongada (Teste 253). Nas configurações A0, B0, CAA, CBA, CAB e CBB dos casulos, realizar ensaios para: • Liberarção do envelope de voo de acordo com o preconizado com o “Captive Compatibility Flight Profile (CFP) Tests”; • Estimação do desempenho das configurações ensaiadas, considerando o “Performance and Drag Tests”; • Avaliar as qualidades de voo (QDV) da aeronave dentro dos envelopes de voo propostos (Teste 251). Verificar a influência dos casulos no desempenho da aeronave, estimando valores de “Drag Index” (DI) para as configurações a serem liberadas. Avaliar a estabilidade e exatidão da “Line of Sight” (LOS) dos casulos. Avaliar o desempenho dos sensores dos casulos. Testar as funcionalidades dos casulos. Verificar a estabilidade e a exatidão da LOS e o desempenho de sensores, e testar os sistemas dos casulos A e B, de acordo com procedimentos de ensaios desenvolvidos no IPEV e descritos no Programa de Ensaio [3]. 635 http://dx.doi.org/10.5540/DINCON.2011.001.1.0162