267 Quím. nova esc. – São Paulo-SP, BR Vol. 45, N° 4, p. 267-274, NOVEMBRO 2023 Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da Licença de Atribuição Creative Commons ESPAÇO ABERTO Recebido em 01/12/2022, aceito em 25/01/2023 Pedro S. Vasconcellos e Maurícius S. Pazinato A educação inclusiva busca garantir a todos o acesso a um ensino de qualidade, mas alguns sujeitos, como os daltônicos, não costumam ser o foco dos estudos nessa área. Por isso, o artigo busca evidenciá-los no âmbito da Educação em Química por meio da elaboração de uma Tabela Periódica Acessível aos Daltô- nicos. Para isso, realizou-se uma sondagem das principais dificuldades desses sujeitos quanto ao estudo da Química e de sugestões para o ensino inclusivo. A Tabela Periódica Acessível foi construída com base em princípios de acessibilidade cromática e avaliada pelos sujeitos quanto a sua aplicabilidade. Percebeu-se que os daltônicos apresentam dificuldade com atividades experimentais e que exigem a interpretação de gráficos/tabelas baseados nas cores. A usabilidade da tabela foi comprovada através da avaliação proposta. Destaca-se, sobretudo, os comentários positivos recebidos a respeito da utilidade do produto, o qual foi capaz de cumprir com os objetivos inicialmente estabelecidos. daltonismo, tabela periódica acessível, educação inclusiva Uma representação acessível da Tabela Periódica para Uma representação acessível da Tabela Periódica para estudantes daltônicos estudantes daltônicos http://dx.doi.org/10.21577/0104-8899.20160341 A visão é um sentido complexo que permite aos indiví- duos a visualização do mundo, podendo ser compre- endida como um conjunto de fenômenos que ocorrem no sistema ocular. Esses, porém, se dão de diferentes maneiras em cada indivíduo, uma vez que podem apresentar falhas em seus processos. A essas falhas dá-se o nome de deficiências visuais, as quais modificam as imagens formadas e, por consequência, as maneiras com que o mundo é percebido pelos diferentes sujei- tos (Farina et al., 2006). Dentre as deficiências conhe- cidas, destaca-se a discromatopsia, congênita ou adquirida, geralmente apelidada por daltonismo. Trata-se de uma alte- ração que afeta células chamadas de cones, as quais possuem os pigmentos azul, verde e vermelho e estão presentes na retina humana. Os cones são receptores de fótons que atuam como sensores, recebendo a luz e diferenciando as cores, transformando a luminosidade em sinais nervosos que serão interpretados pelo cérebro (Bruni e Cruz, 2006; Schneid, 2020). Assim, a anomalia, que atinge cerca de 8,35 milhões de brasileiros (Moura, 2019), interfere na percepção das cores e dos tons, reduzindo o espectro de colorações perce- bidas em relação a um indivíduo com visão normal. O diagnóstico, como apontam Melo et al. (2014), apesar de sim- ples, é geralmente feito em idade escolar e de maneira informal, por professores ou responsáveis. Dessa forma, a identificação da deficiência costuma ser tardia, indicando pouca compreensão a respeito do assunto na socie- dade como um todo, o que pode dificultar a adaptação dos indivíduos daltônicos, já que, provavelmente, enfrentarão diversas situações sem receber o apoio necessário e, até mesmo, sem saber que possuem discromatopsia. Como possibilidades para o diagnóstico formal, os profissionais responsáveis pela saúde ocular podem optar por diversas ferramentas, sendo a mais co- mum o teste de Ishihara (Figura 1), por meio do qual se apresenta uma série de placas coloridas projetadas para [...] a identificação da deficiência costuma ser tardia, indicando pouca compreensão a respeito do assunto na sociedade como um todo, o que pode dificultar a adaptação dos indivíduos daltônicos, já que, provavelmente, enfrentarão diversas situações sem receber o apoio necessário e, até mesmo, sem saber que possuem discromatopsia.