TRADUZIR BORDERLANDS/LA FRONTERA: THE NEW MESTIZA. A TRADUÇÃO COMO TRAVESSIA Alice Maria de Araújo Ferreira 1 ; Gabriel Caetano Moreira 2 1 Doutora em Linguística pela Universidade de São Paulo. Professora Associada do curso de Tradução da Universidade de Brasília. 2 Mestrando em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas e Bolsista CAPES. Bacharel em Letras Tradução-Espanhol pela Universidade de Brasília. RESUMO Este trabalho tem como objetivo a tradução do primeiro capítulo, The Homelan,Aztlán/El otro México, da emblemática obra de Gloria Evangelina Anzaldúa, Borderlands/La Frontera: The New Mestiza. Borderlands, é uma obra que, além de ser multilíngue, serpenteia por diversas áreas, tais como os estudos de fronteira, identidade, queer e sobre a cultura chicana nos EUA. Buscou-se, então, a criação de um projeto de tradução que estivesse apto a lidar com sua complexidade e que respeitasse a alteridade. Dentre as questões presentes, propomo-nos discutir, a partir das lentes tradutórias, duas em particular neste trabalho, a saber: a escrita mestiza, a inespecificidade de gênero textual. Os conceitos, fronteiriços, culturais e de identidade, desenvolvidos em Borderlands por Anzaldúa (1987); a mestiçagem de Nouss (2002) e Laplatine (2002); a poética de enunciação de Meschonnic (2010) e a posição ética de Samoyautl (2020) e Glissant (2021 [1990]) entre outros filósofos e pesquisadores das ciências humanas foram nosso alicerce teórico para as reflexões e discussões desenvolvidas ao decorrer do texto. Como resultado, além da tradução do texto propriamente dito, tivemos a oportunidade de escutar e refletir sobre o processo de tradução que permitiu ouvir a voz subalterna, mestiza e subversiva de Anzaldúa. Palavras-Chave: Gloria Anzaldúa; mestiçagem; tradução; inespecificidade de gênero; multilinguismo. INTRODUÇÃO Gloria Evangelina Anzaldúa (1942-2004) foi uma escritora e filósofa chicana 1 , lésbica, queer e ativista. Autora de uma das obras mais marcantes sobre a experiência existencial de chicanas e chicanos: Borderlands/La Frontera: The New Mestiza (1987). Anzaldúa, ao longo das últimas décadas, vem se tornado cada vez mais reconhecida por seus escritos e reflexões que misturam biográfico e não- 1 Palavra que remete à autoidentificação de Mexicano-americanos