84 INTERIN, v. 28, n. 1, jan./jun. 2023. ISSN: 1980-5276. Jamer Guterres de Mello; Yasmin Brigato de Angelis. O cinema do vazio de Yasujiro Ozu. p. 84-100. DOI 10.35168/1980-5276.UTP.interin.2023.Vol28.N1.pp84-100 O cinema do vazio de Yasujiro Ozu The emptiness cinema of Yasujiro Ozu Jamer Guterres de Mello Professor no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi (PPGCOM-UAM). Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCOM-UFRGS). São Paulo, Brasil. E-mail: jamermello@gmail.com Yasmin Brigato de Angelis Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi (PPGCOM-UAM). São Paulo, Brasil. E-mail: yasmin_brigato@hotmail.com Resumo: Este artigo propõe uma breve análise dos planos vazios na obra do cineasta japonês Yasujiro Ozu. Busca-se debater como tal conjunto de planos constrói ambiguidades que suspendem o fluxo de continuidade da narrativa, e como podemos elucidar a importância desse cinema “disruptivo” de Yasujiro Ozu. Por meio das diferentes composições e funções empregadas, a intenção é refletir sobre como o Estilo Ozu proporciona o surgimento de uma nova imagem, que se opõe a imagem produzida pelo cinema americano. Para contextualizar as discussões, utilizaremos o conceito de imagem-tempo (1990) definido pelo filósofo Gilles Deleuze, procurando sistematizar a descrição dos planos vazios nos filmes de Ozu. Para tanto, utilizamos como método a análise fílmica e, como objeto de análise, os filmes Pai e Filha (Banshun, 1949) e Era uma vez em Tóquio (Tōkyō Monogatari, 1953). Palavras-chave: Cinema; Análise fílmica; Planos vazios; Imagem-tempo; Yasujiro Ozu. Abstract: This paper proposes a brief analysis of the empty shots in the work of Japanese filmmaker Yasujiro Ozu. It seeks to discuss how such a set of shots builds ambiguities that suspend the flow of narrative continuity, and how we can elucidate the importance of this “disruptive” cinema by Yasujiro Ozu. Through the different compositions and functions employed, the intention is to reflect about how the Ozu Style provides the emergence of a new image, which opposes the image produced by American cinema. To contextualize the discussions, we will use the concept of image-time (1990) defined by the philosopher Gilles Deleuze, seeking to systematize the description of empty planes in Ozu's films. For this, we used film analysis as a method and, as object of analysis, the films Late Spring (Banshun, 1949) and Tokyo Story (Tōkyō Monogatari, 1953). Keywords: Cinema; Film analysis; Empty shots; Time-image; Yasujiro Ozu.