1 O DESENHO URBANO E A SUSTENTABILIDADE Thalita dos Santos Dalbelo Unicamp thadalbelo@yahoo.com.br Emília Wanda Rutkowski Unicamp emilia@fec.unicamp.br 1. Introdução O termo “sustentabilidade urbana”, que é usado indistintamente ao termo ”desenvolvimento sustentável urbano”, tem suas origens atreladas ao surgimento do termo “desenvolvimento sustentável”, usado pela primeira vez para determinar o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades" (Brundtland, 1987, p. 45). O referencial teórico para o desenvolvimento sustentável vem sendo trabalhado desde a 1972, quando ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo. Esta conferência criou recomendações que levaram a criação do Programa Ambiental da Organização das Nações Unidas – UNEP e de agências nacionais de proteção ambiental que promovem o desenvolvimento sustentável, identificam prioridades de conservação ambiental e políticas públicas a serem trabalhadas (Drexhage e Murphy, 2010). O desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade, como definição, ainda são termos em atualização e que possuem uma série de definições e justaposições na literatura, sendo que o mesmo ocorre quando a cidade é envolvida. Uma forma de distingui-los é pensar a sustentabilidade como um estado desejável ou um conjunto de condições favoráveis que persiste ao longo do tempo; enquanto o desenvolvimento sustentável implica um processo para que a sustentabilidade possa ser alcançada (Maclaren, 1996). Apesar de o relatório Brundtland (1987) incluir um capítulo sobre a sustentabilidade urbana, Cardoso e Ventura Neto (2013) avaliam que, apenas na HABITAT II, houve efetividade na incorporação do tema ao desenvolvimento sustentável. Maclaren (1996) coloca que as principais características da sustentabilidade urbana são as equidades intergeracional e intrageracional social, geográfica e de governança; a proteção do ambiente natural e sua capacidade de carga; o uso mínimo de recursos não renováveis; a vitalidade e a diversidade econômica; a autoconfiança da comunidade; o bem estar individual e a satisfação das necessidades básicas humanas. Nesse sentido, apesar de existirem divergências quanto às importâncias dessas características e quanto à seleção delas para o desenvolvimento de metas de sustentabilidade urbana, a necessidade de considerações ambientais e visões holísticas que equilibrem ambiente, economia e sociedade no meio urbano são primordiais para a efetividade da sustentabilidade urbana (Maclaren, 1996). Acselrad (1999) propõe o entendimento de sustentabilidade urbana através de sua categorização em três matrizes discursivas: representação técnico-material da cidade, que entende a cidade como um organismo e trata sua sustentabilidade através de um equilíbrio