Atenção Básica enquanto ordenadora da rede e coordenadora do cuidado: ainda uma utopia? 1 Helvécio Miranda Magalhães Junior 2 Hêider Aurélio Pinto 3 RESUMO O artigo identificou que, tanto em normativas governamentais quanto na literatura especializada, espera-se que a Atenção Básica (AB) seja a principal porta de entrada do sistema, a ordenadora da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e a coordenadora do cuidado. Aprofundou os significados destes conceitos e buscou verificar o quanto os serviços e as Equipes de Atenção Básica (EAB) cumprem, de fato, este papel, a partir da análise dos dados secundários do banco de dados da avaliação externa do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ), do questionário aplicado pelo Ministério da Saúde (MS) aos gestores de municípios que participaram do primeiro ciclo do PMAQ e da pesquisa realizada pela Ouvidoria do MS com usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Por fim, o artigo buscou, ainda, identificar políticas do próprio MS que buscam fortalecer a AB nestes papéis, fazendo uma busca especial entre aquele conjunto de ações que, internacionalmente, são reconhecidas como pró-coordenação. Palavras-chave: Atenção Básica à Saúde; Sistema Único de Saúde; Atenção à Saúde; PMAQ. Keywords: Primary Health Care; Unified Health System; Health Care; PMAQ. Introdução A partir de 2011, em um processo de aprofundamento e aprimoramento da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), o MS realizou uma série de medidas 1 Publicado na Revista Divulgação para Saúde em Debate n°51, p.14-29. 2 Doutor em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – Campinas (SP), Brasil. 3 Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Porto Alegre (RS), Brasil. Secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério do Saúde, Brasil.