INDÍCIOS DE INFLAMAÇÃO NEUROGÊNICA NA MUCOSA DO ÍLEO DE RATOS Wistar DURANTE A INFECÇÃO AGUDA POR Toxoplasma gondii Anne Caroline Santa Rosa 1 , Joquebede Caroline Pessoa do Nascimento 2 , Débora de Mello Gonçales Sant’Ana 3 , Nilza Cristina Buttow 4 , Larissa Carla Lauer Schneider 5 1 Acadêmica do Curso de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Maringá - UEM. Bolsista PIBIC/CNPq-UEM.santarosa.annecarol@gmail.com 2 Aluna de mestrado da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp. joquebede1893@gmail.com 3 Professora, Doutora, Departamento de Ciências Morfológicas, UEM. dmgsantana@gmail.com 4 Professora, Doutora, Departamento de Ciências Morfológicas, UEM. ncbuttow@gmail.com 5 Orientadora, Doutora, Departamento de Ciências Morfológicas, UEM. lari_uem@yahoo.com.br RESUMO A mucosa intestinal tem um papel importante no mecanismo de barreira contra a penetração de microorganismos. No entanto, Toxoplasma gondii invade as células epiteliais do intestine delgado, iniciando uma resposta imune local. Esta resposta promove um desbalanço nos neurotransmissores, na qual envolve o plexo submucoso, resultando em mudanças na integridade do epitélio e no papel secretor. No presente trabalho foi avaliado o comportamento das células da mucosa e dos neurônios submucosos do íleo durante diferentes tempos de infecção aguda pelo T. gondii. Quarenta ratos (60 dias de idade) foram aleatoriamente distribuídos em 8 grupos (n=5): não infectado (GC) e, infectados: 6 (GI6h), 12 (GI12h), 24 (GI24h), 48 (GI48h) e 72 horas (GI72h) e 7 (GI7d) e 10 dias (GI10d) de infecção com a inoculação de 5000 oocistos de T. gondii esporulados (cepa Me-49, genótipo II). Segmentos do íleo foram separados para o processamento histológico e, para as técnicas da histoquímica e imunofluorescência para quantificação das células epiteliais e células imunes da mucosa do íleo e dos neurônios submucosos HuC/D-IR e VIP-IR. Nossos resultados demostraram uma perda neuronal gradativa ao longo da infeção e também mudanças fenotípicas dos neurônios VIPérgicos. Estas mudanças podem estar relacionadas com a redução das células caliciformes e o crescimento dos linfócitos intraepitelais e das células imunes da lamina própria. A infecção aguda pelo T. gondii no íleo de ratos Wistar promove mudanças dos neurônios VIPérgicos ao longo da infecção, que pode estar relacionadas com as alterações das células epiteliais e de defesa da mucosa intestinal. PALAVRAS-CHAVE: Neurônios submucosos, VIP, intestino delgado, toxoplasmose intestinal, fase aguda. 1 INTRODUÇÃO Toxoplasma gondii é um parasito intracelular obrigatório agente etiológico da toxoplasmose, zoonose que possui uma imensa distribuição mundial (DUBEY et al., 2012). Nesta patologia ocorrem diarréias acompanhadas de ulcerações intestinais que podem evoluir para ileíte fatal em camundongos susceptíveis (LIESENFELD et al., 1996; MENNECHET et al., 2002). Os ratos são usualmente resistentes à infecção pelo T. gondii (DUBEY, 1998), mas ainda assim pode ser gerada uma inflamação durante o processo de infecção do parasito (SCHREINER; LIESENFELD, 2009). Quando a infecção ocorre por via oral, o parasito encontra a superfície da mucosa intestinal, constituída de células epiteliais, que incluem os enterócitos e as células caliciformes (CCs) que desempenham um importante papel na função de barreira mecânica às agressões do meio externo e a penetração de microrganismos (PELASEYED et al., 2014). Esta barreira ocorre devido a presença de junções de oclusão (GOTO; IVANOV, 2013) e do muco produzido pelas CCs (JOHANSSON, 2013). Apesar da existência desta barreira o T. gondii tem a capacidade de invadir as células epiteliais iniciando uma resposta imune local (HEIMESAAT et al., 2007). Os neurônios também são alvos da replicação do T. gondii e sofrem alterações induzidas por este protozoário. O T. gondii possui habilidade para induzir modificações diretas ou indiretamente via neuroinflamação, desregulando o balanço de neurotransmissores e induzindo a neuroplasticidade (PARLOG et al., 2015). O Sistema Nervoso Entérico (SNE) é organizado em plexos, dos quais os principais são o plexo submucoso e o plexo mioentérico (FURNESS, 2006). O plexo mioentérico controla a ANAIS X EPCC UNICESUMAR – Centro Universitário de Maringá ISBN 978-85-459-0773-2