Juiz de Fora, PPGCOM – UFJF, v. 18, n. 3, p. 7-23, set./dez. 2024 10.34019/1981-4070.2024.v18.45425 Revista do Programa de Pós-graduação em Comunicação Universidade Federal de Juiz de Fora / UFJF e-ISSN 1981-4070 7 Audiovisualidades e subjetividades: o que os filmes assistidos em isolamento social apontam sobre nós Fernanda Elouise Budag 1 Resumo Compreendendo que as subjetividades são construídas a partir das textualidades em circulação socialmente, questionamos nesta investigação o que sinalizam sobre as subjetividades dos brasileiros as audiovisualidades fílmicas mais assistidas em streaming durante o período de isolamento/distanciamento social em virtude da pandemia de Covid-19 ao longo do ano de 2020 (mar. a nov. 2020). Para o necessário recorte, o objeto empírico de estudo desta pesquisa são os filmes em streaming mais assistidos no Brasil no ano de 2020, com um recorte do locus de observação particularmente centrado na plataforma Netflix a partir de dados divulgados pela própria empresa. Assentados nas bases dos Estudos Culturais e nos princípios da Análise do Discurso de linha francesa, interessados em duas esferas de produção de sentido – o discurso e a narrativa –, buscamos, em termos metodológicos, por marcas narrativas e discursivas indicativas da subjetividade a que nos referimos. Do corpus observado, depreendemos uma subjetividade involuntariamente marcada pelo luto e problemas de saúde mental, enquanto temáticas que atravessam mais de um gênero fílmico, consumidos por uma certa identificação coletiva; mas também uma subjetividade marcadamente assinalada pela esperança e crença no amor, presentes em filmes consumidos por projeção, recheados de clichês que fixam bases estáveis importantes para o momento sócio-histórico. Palavras-chave Comunicação; Audiovisualidades; Subjetividade; Narrativa; Discurso. 1 Doutora em Ciências da Comunicação (ECA-USP) com pós-doutorado em Comunicação e Práticas de Consumo (ESPM-SP). Professora e pesquisadora junto à FECAP e POSCOM-UFSM. E-mail: fernanda.budag@gmail.com.