Montevideo, UY Outubro 2025 1 UM “PRAZER” SOLITÁRIO: Um Diálogo Sobre Masturbação entre a Bíblia e a Ciência Creuse Santos RESUMO Este trabalho propõe uma reflexão teológica, bíblica e científica sobre a masturbação e suas implicações espirituais, psicológicas e fisiológicas à luz das Escrituras e das ciências humanas. Partindo da premissa de que o corpo é templo do Espírito Santo, o estudo analisa a masturbação como distorção do propósito original da sexualidade criada por Deus, integrando exegese bíblica, neurociência, psicologia e antropologia. São examinadas passagens como Mateus 5:27–28, 1 Coríntios 6:13–20 e Romanos 12:1–2, que revelam o chamado à pureza e à santificação do corpo e da mente. A pesquisa também aborda as consequências clínicas e comportamentais da masturbação e do consumo de pornografia, incluindo a disfunção erétil, a dessensibilização emocional e a dependência neuroquímica, sustentadas por estudos recentes em neuroplasticidade e comportamento sexual compulsivo. Discute-se ainda a crescente influência da pornografia digital e de conteúdos gerados por inteligência artificial sobre a formação de vínculos afetivos e a percepção do prazer. À luz da teologia bíblica e da psicologia contemporânea, o trabalho propõe um caminho de restauração integral baseado em três pilares: arrependimento sincero, renovação da mente pela Palavra e oração, e comunhão com irmãos fiéis. Conclui-se que a verdadeira libertação sexual não é mera abstinência, mas a redenção do desejo — quando o prazer é reintegrado ao amor e o corpo volta a ser instrumento de adoração e glória a Deus. INTRODUÇÃO A masturbação é um dos temas mais negligenciados e, ao mesmo tempo, mais praticados do mundo contemporâneo. A palavra, segundo os dicionários, significa: “O ato de promover prazer sexual próprio por meio de fricção com as mãos ou objetos a fim de se chegar ao orgasmo”. Muito se tem escrito acerca de masturbação. No conceito secular da psicologia moderna, ela é vista como parte natural do desenvolvimento sexual humano e, frequentemente, defendida como algo indispensável à “boa saúde sexual”. Tal visão deriva de teorias freudianas e pós-freudianas que associam a autoestimulação à liberação de tensões internas e à autodescoberta do corpo. No