2431 DOI:10.4025/5cih.pphuem.2202 Elite Provincial e Ordem Equestre na Época do Principado Alex Aparecido da Costa (Graduação – UEM) Resumo: O presente artigo faz parte dos resultados obtidos ao longo de uma pesquisa voltada para a análise do modelo ideal de príncipe durante a época do Principado romano. Em tal estudo buscamos, por meio da análise do Panegírico de Trajano, de Plínio, o Jovem, entender de que maneira a mentalidade dos homens do Alto Império esboçava a figura de um governante que atendesse as demandas do período tendo nas mãos o poder absoluto, situação que, embora fosse necessária, era execrada pela tradição romana. Dessa forma constituiu-se um quadro no qual a atuação do príncipe demandava uma busca de equilíbrio constante onde as tradições da ordem senatorial buscavam se perpetuar diante do poder imperial. A contextualização preliminar impôs o estudo dos personagens centrais do tema abordado na pesquisa: Caio Plínio Cecílio Segundo, mais conhecido como Plínio, o Jovem, e o imperador Trajano. Tal estudo apontou a importância da atuação dos estratos sociais originários de Trajano e Plínio na época do Principado. O primeiro ocupa uma posição original, proveniente da Bética, região da província romana da Hispânia, foi o primeiro imperador não italiano. Seu caso é sintomático e enquadra-se no processo de extensão dos direitos políticos aos habitantes das províncias que conquistavam cada vez mais importância. Já o segundo tem sua relevância decorrente de sua carreira ser um exemplo da crescente incorporação de elementos da ordem eqüestre nas altas posições administrativas da gestão imperial e de sua admissão posterior na ordem senatorial. A ascensão das elites provinciais e da ordem eqüestre está no cerne da constituição do Principado. A expansão imperial romana foi a contradição que destruiu o regime republicano na medida em que demandou um governo mais centralizado e ao mesmo tempo apoiado no escol superior de cada região incorporada. Dentro dessa dinâmica a elite provincial Hispânica assinalou sua importância com a primazia de ter um de seus elementos, na pessoa de Trajano, alçado ao topo do poder após uma brilhante carreira militar. A ordem eqüestre por sua vez estabeleceu-se dentro do governo imperial guindada pelos imperadores desde Augusto como contraponto ao poder e à influência da ordem senatorial ainda apegada aos antigos valores republicanos e por isso elemento de oposição ao príncipe. Nesse sentido os cavaleiros estabeleceram-se como uma aristocracia administrativa fiel ao novo regime, situação na qual o caso exemplar é o de Plínio, que além de trilhar o cursus honorum serviu ao imperador Trajano em cargos como prefeito do tesouro, curador do Tibre, foi por ele nomeado cônsul e também governador da Bitínia. Os principais resultados dessa parte da pesquisa, que originou este artigo, ofereceram as conclusões de que o processo de expansão romano demandou uma participação política cada vez maior por parte de elementos que durante a República encontravam-se alheios ao poder. O Principado, na sua constante busca para consolidar-se, teve de encontrar sustentação em elementos que representavam a nova realidade, que já não era aquela da República alicerçada nas tradições senatoriais. A essa demanda a elite provincial e a ordem eqüestre foi capaz de responder, em favor do Império e em nome de seu próprio interesse. Palavras-chave: Trajano, Plínio, o Jovem, Principado, elite provincial, ordem eqüestre.