COMCI ÊNCI A – Revista Eletrônica de Jornalismo Científico Inovação em clusters emergentes Carlos O. Quandt http://www.comciencia.br/reportagens/2004/08/13.shtml A inovação ocupa hoje um lugar central nas discussões sobre competitividade empresarial e, cada vez mais, na formulação de políticas de desenvolvimento regional. Os motivos são claros: em estudos realizados nos países mais desenvolvidos, estima-se que a inovação é responsável por 80% a 90% do crescimento da produtividade. Sabendo-se também que o aumento da produtividade responde por mais de 80% do crescimento econômico, a inovação é essencial para ampliar as oportunidades de ganhos econômicos e sociais das cidades, regiões e países. Com a crescente globalização econômica, os avanços tecnológicos se difundiram rapidamente, porém de forma desigual. O divisor entre os países mais desenvolvidos e os outros tende a ser definido cada vez mais pela capacidade relativa de inovar, difundir e aplicar conhecimento, deixando as dotações tradicionais de capital, recursos naturais ou mão-de-obra barata em segundo plano. Como disse Peter Drucker, "na sociedade do conhecimento... não existirão países pobres; existirão países ignorantes". O acesso ao conhecimento tecnológico, o desenvolvimento do capital humano, a inovação contínua e a adoção de padrões mundiais de qualidade e produtividade são fatores essenciais para sustentar a competitividade. Ao mesmo tempo, é preocupante constatar que o Brasil vem perdendo espaço no campo da inovação tecnológica, mesmo entre os países em desenvolvimento. Dados da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) mostram que, em meados dos anos 90, o Brasil representava 16,3% das patentes registradas por países em desenvolvimento. Atualmente, são apenas 4,2%. Os sul-africanos possuem o dobro das patentes do Brasil, e a Coréia, cerca de dez vezes mais. Reconhecidamente, nosso país investe pouco em pesquisa e desenvolvimento, principalmente por parte do setor privado. Isso é agravado pela capacidade limitada de converter o investimento em inovação, que é a introdução de novos produtos, serviços ou métodos de produção numa organização ou no mercado. Os reflexos dessas deficiências na produtividade e competitividade regional e nacional são extremamente sérios. A título de comparação, a produtividade do trabalhador brasileiro corresponde a apenas 27% da média dos EUA. As diferenças são igualmente marcantes dentro do próprio país. Uma pesquisa do IBGE em 2001 mostra que a produtividade das empresas inovadoras no Brasil é 50% a 350% superior à média do setor onde elas atuam. Constata-se também que as empresas inovadoras brasileiras são muito mais competitivas, e são 48% mais propensas a exportar do que as não-inovadoras. Nesse aspecto, as disparidades que existem entre países, e mesmo localidades e regiões dentro de cada país, revelam grandes assimetrias na distribuição espacial da capacidade inovadora. Isto sugere que o processo de inovação demanda formas específicas de coordenação e apoio ao aprendizado tecnológico. As diversas configurações institucionais em diferentes locais e seus vínculos com o sistema produtivo traduzem-se em diferenças na capacidade de inovar e promover a difusão de tecnologia.