Estendendo a linguagem MoLIC para o projeto conjunto de interação e interface Ugo Braga Sangiorgi SERG, Departamento de Informática, PUC-Rio R. Marquês de São Vicente, 225 Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 22451-900 +55 21 3527-1500 ext. 4353 usangiorgi@inf.puc-rio.br Simone D.J. Barbosa SERG, Departamento de Informática, PUC-Rio R. Marquês de São Vicente, 225 Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 22451-900 +55 21 3527-1500 ext. 4353 simone@inf.puc-rio.br ABSTRACT A técnica de storyboarding é largamente adotada para prototipa- gem de baixa fidelidade, proporcionando uma visão geral das sequên- cias das telas de um sistema, em conjunto com cenários. No en- tanto, o produto de técnicas como esta é por definição algo des- cartável, em parte pelo fato de elas não possuírem representações estruturadas, o que impossibilita o seu aproveitamento em um pro- jeto à medida que este evolui. Neste artigo, argumentamos que o projeto da interação pode se beneficiar de um modelo de interação agregado a esboços de interface utilizados em storyboards, permi- tindo uma melhor discussão sobre as decisões de design que preci- sam ser tomadas durante o projeto. Desenvolvemos uma extensão para a linguagem MoLIC e uma ferramenta para suportar a cons- trução de diagramas com esboços de interface, além de um estudo exploratório para avaliar a extensão proposta. Categories and Subject Descriptors H.5.2 [User interfaces]: Evaluation/methodology Keywords Interaction Design, Interaction Modeling, Semiotic Engineering General Terms: Languages 1. INTRODUÇÃO Sistemas interativos vêm cada vez mais se tornando populares e ubíquos, com o crescimento do uso da Internet e de dispositivos móveis. Se considerarmos o ponto de vista dos usuários, esses sis- temas são percebidos através daquilo que eles podem diretamente ver e experimentar [9], e portanto o sucesso (ou destaque) de um sistema está fortemente relacionado à qualidade da interação que é proporcionada por ele. Assim, é crescente a preocupação por parte da indústria de soft- ware em oferecer aos usuários uma experiência interativa de qua- lidade. Porém, dentre muitos motivos, a falta de notações e ferra- mentas para apoiar a modelagem da interação do usuário com o sis- tema é bastante evidente [19]. Este artigo endereça este problema, Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for personal or classroom use is granted without fee provided that copies are not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise, to republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior specific permission and/or a fee. IHC’10, October 5–8, 2010, Belo Horizonte, Brasil. Copyright 2010 ACM X-XXXXX-XX-X/XX/XX ...$10.00. apresentando uma modelagem híbrida que representa tanto a in- teração humano-computador quanto a interface apresentada pelo sistema. Com isso, procuramos tornar claras as decisões de de- sign tomadas ao se projetar um sistema interativo, explicitando seu comportamento, o modo como ele se apresentará e como usuário e sistema se comunicam, segundo a visão do designer 1 . Este artigo visa apresentar a proposta de um uso estendido do diagrama de interação da MoLIC, uma linguagem para modelar a interação como metáfora de conversa. Ela foi criada para servir como ferramenta epistêmica, dando suporte à reflexão do designer acerca da solução interativa sendo concebida por ele, partindo do ponto de vista de que ele tem o usuário como interlocutor em uma conversa. A proposta de extensão da MoLIC serve ao propósito de utili- zar os esboços de tela para representar a interface em um estado preliminar em protótipos que tenham a interação guiada por um modelo. Ao mesmo tempo, o designer pode ter uma ferramenta em mãos que possibilite, iterativamente: modelar a visão geral do sis- tema a nível de comportamento; rascunhar a representação visual desse sistema; gerar protótipos para efetuar testes com os usuários de forma barata e, como consequência das observações, criticar e melhorar gradativamente a sua solução inicial. Assim, foi conduzido um estudo de caso exploratório visando avaliar a expressão da linguagem enriquecida com esboços de tela e investigar possíveis direções no futuro desta abordagem. Além disso, foi desenvolvida uma ferramenta para permitir tanto a elabo- ração gráfica de diagramas MoLIC quanto o aproveitamento de um modelo processável da linguagem – através do qual pode ser possí- vel validar sintaticamente o diagrama, relacionar seus elementos a outros modelos, visando a interoperabilidade com outras ferramen- tas que porventura venham a ser desenvolvidas. Este artigo está assim dividido: a próxima seção apresenta as bases da nossa proposta que são a técnica de storyboarding e a lin- guagem MoLIC. A seção 3 apresenta nossa proposta de integrar interação e interface, junto com um exemplo utilizando a nossa fer- ramenta. Na seção 4 descrevemos um estudo exploratório, na qual designers de sistemas usaram nossa proposta para modelar soluções interativas a partir de cenários. A seção 5 apresenta a implemen- tação da nossa proposta na ferramenta MoLIC Designer. Por fim, concluímos com uma breve discussão e oportunidades para traba- lhos futuros. 1 Chamaremos de designer o projetista do software, também cha- mado de Arquiteto de Informação, User Experience Analyst, entre outros. Ou seja, a figura envolvida na concepção da solução intera- tiva, e não necessariamente apenas quem o concebeu ou codificou.