1 ESTUDO DA COMPREENSÃO DE HISTÓRIAS INFANTIS EM LÍNGUA DE SINAIS POR CRIANÇAS SURDAS Tatiana Bolivar Lebedeff (Universidade de Passo Fundo – RS) As origens do contar histórias, como comenta Sisto (2001), são muito antigas, tanto quanto o homem, e atravessaram os tempos. Os índios reuniam-se em ritual de círculo para socializar suas histórias, crenças, tradições, descobertas, e suas experiências cotidianas eram contadas em forma de narrativas. Com o aperfeiçoamento da tipografia, na primeira metade do século XVIII, ampliaram-se as possibilidades de se materializar no papel as histórias que antes eram transmitidas oralmente. Surgiram, então, as primeiras obras publicadas especialmente para o público infantil. De acordo com Cunha (1985), a literatura infantil começa a delinear-se neste período pelo fato de a criança passar a ser considerada um ser diferente do adulto, com necessidades e características próprias, razão pela qual deveria distanciar-se da vida dos mais velhos e receber uma educação especial, que a preparasse para a vida adulta. Atualmente, segundo Abramovich (2001), o primeiro contato da criança com o texto é feito oralmente, através da voz da mãe, do pai ou dos avós, contando contos de fada, trechos da Bíblia, histórias inventadas, livros, poemas sonoros, etc. Para a autora, ler histórias para crianças é suscitar a imaginário, é encontrar outras idéias para solucionar questões. É uma possibilidade de descobrir o mundo dos conflitos, dos impasses, das soluções que todas as pessoas vivem e atravessam, o que é feito através dos problemas que vão sendo enfrentados e resolvidos pelas personagens de cada história. É ouvindo histórias que se podem sentir emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranqüilidade e tantas outras, e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve. É através de uma história que podem ser descobertos outros lugares, outros tempos, outro jeito de vestir e viver, outra ética, outra ótica. É conhecer história, geografia, filosofia, política, sociologia, etc. Percebe-se, portanto, que a história é importante tanto como fonte de prazer como pela contribuição que oferece ao desenvolvimento da criança (Coelho,1986). Nesse sentido, Morais (1996) ressalta que a audição de livros é o primeiro passo para a leitura. A