O CASO DAS RELATIVAS E O CASO NAS RELATIVAS: UMA ANÁLISE MINIMALISTA DE RELATIVAS LIVRES E SINTAGMAS-QU NO PORTUGUÊS BRASILEIRO 1 Paulo Medeiros Junior 2 RESUMO: A análise de orações relativas tem sido ultimamente orientada pela proposta de raising elaborada em Kayne (1994). Uma avaliação das bases do Pograma Mnimalista de Chomsky (1995) e um questionamento sobre a viabilidade do raising como alternativa de análise é o que se encontra nesse trabalho. Uma ponderação sobre o fenômeno das relativas livres definitivamente revela alguns problemas para a teoria de Kayne como as questões de atribuição de Caso aos elementos-QU – entendidos como determinantes relativos – e constituência. Questões como as de atribuição de Caso e constituência também dificultam a análise do raising para orações relativas comuns. Palavras-chave: Relativa livre. Interrogativa indireta. Amálgama. Caso. ABSTRACT: The analysis of relative clauses has been oriented lately by the raising proposal made up in Kayne (1994). What can be found in this paper is an evaluation of the bases of the Minimalist Program set by Chomsky (1995) and some questioning about the viability of the raising approach as an alternative of analysis. Some reasoning over the phenomenon of the free relative clauses will definitely reveal a few problems for Kayne´s theory namely Case and constituency, which may also constitute some difficulties for the analysis of ordinary relative clauses as well. Key-words: Free relative. Indirect question. Amalgam. Case. 1. Introdução O estudo da frase relativa costuma intrigar não apenas no que concerne às questões semânticas, mas também pela complexidade sintática que apresenta uma estrutura dessa natureza. As investigações sobre o tema vêm de muito longe e já ocuparam a muitos pesquisadores. Benveniste já definiu orações relativas como “frases subordinadas dependentes – por meio de algo como um pronome – de um termo dito antecedente”. (Benveniste (1966:228)). Na perspectiva gerativa, uma das propostas mais recentes para a análise de relativas com antecedente é a do raising , apresentada em Kayne (1994) e reafirmada por Bianchi (1999). Para Kayne, o pronome relativo (daqui em diante PR) nasce como determinante de um sintagma nominal (doravante NP), que é em algum momento alçado para uma posição exterior à oração relativa e passa a funcionar como antecedente do PR. O alçamento do NP seria, segundo essa visão, o responsável pela formação da lacuna que ocorre no interior dessas construções sintáticas. Há, todavia, um tipo de estrutura relativa que não segue os padrões da organização sintática revelada por Benveniste (1966) e discutida em Kayne (1994): as chamadas relativas livres. Orações relativas livres são sentenças que não localizam um antecedente expresso no contexto sintático. As estruturas que se mostram nos dados a seguir são bons exemplos de frases relativas sem um antecedente: (1) a. Eu convidei quem você indicou . b. Ela conhece quem administra a empresa . Há uma série de questões intrincadas que rondam estruturas desse tipo, principalmente com relação aos elementos conhecidos como sintagmas-QU – termos que as introduzem. 1 Meus sinceros agradecimentos à Profa. Dra. Heloisa Maria Moreira Lima Salles, sob cuja orientação esse trabalho foi realizado, a Hank van Riemsdijk, Alexander Grosu, Valentina Bianchi e Mary Kato pelo material enviado; à Cilene Rodrigues, pelo apoio incondicional, e ao amigo Marcus Lunguinho pelo apoio e conversas infindáveis sobre o tema. 2 Paulo Medeiros Junior – UnB E-mail: medeirosjunior@unb.br / medeirosjunior33@gmail.com