1 MAPEAMENTO ARQUEOLÓGICO DE PELOTAS E REGIÃO: OS CERRITOS EM FOCO MÜHLEN, Cristiano Von 1 ; AIRES, Vagner Teixeira 2 ; CORADI, Sara 3 ; PETER, Anderson Rodrigues 4 ; MILHEIRA, Rafael Guedes 5 1 - Graduando em Antropologia com linha de formação em Arqueologia pela UFPel e bolsista de extensão do LEPAARQ-UFPel, Cristiano.von.der.muhlen@gmaill.com; 2 - Graduando em Bacharelado em Geografia pela UFPel e bolsista de pesquisa do LEPAARQ- UFPel, vtaires@gmail.com 3- Graduanda em Antropologia, linha de formação em Arqueologia pela UFPel e laboratorista do LEPAARQ-UFPel sarayngvild@hotmail.com 4 – Bacharel em Geografia. Estagiário pela EMBRAPA e laboratorista do LEPAARQ-UFPEL arodriguespeter@yahoo.com.br 5 – Professor do Bacharelado em Antropologia/Arqueologia da UFPEL. Pesquisador do LEPAARQ- UFPEL milheirarafael@gmail.com 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho de Mapeamento Arqueológico de Pelotas e Região vem sendo desenvolvido pelo Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia (LEPAArq/UFPel) coordenado pelo Prof. Dr. Rafael Guedes Milheira e Prof. Dr. Fábio Vergara Cerqueira. Através de atividades extensivas e intensivas de prospecção arqueológica já foram identificados mais de 50 sítios arqueológicos de ocupação referente aos grupos Guarani e construtores de cerritos, tanto na região litorânea às margens da laguna dos Patos (margem da lagoa do Fragata e margem do Canal São Gonçalo) como na serra do Sudeste (MILHEIRA, 2008; LOUREIRO, 2008; MILHEIRA e ALVES, 2009; BELLETTI, 2010; GARCIA, 2010; ULGUIM, 2010). 2. O QUE SÃO OS CERRITOS Os cerritos são sítios arqueológicos caracterizados como elevações doliniformes de origem antrópica, constituídos por terra, fragmentos cerâmicos, artefatos líticos e vestígios alimentares, de formato circular, oval ou elíptico. Podem chegar até 100m de diâmetro e 7m de altura (no contexto uruguaio), porém, na região da laguna dos Patos, as alturas não ultrapassam 2m (SCHMITZ 1976; LOUREIRO 2008). São encontrados isolados ou em grupos, sendo localizados próximos a recursos hídricos em locais alagadiços (SCHIMTZ 1976; LÓPES MAZZ e BRACCO, 2010). Estas estruturas em terra serviriam de marcadores geográficos para delimitação e reclamação territorial, locais de habitação, bem como monumentos funerários, praças públicas, lixeiras e demarcadores de território (LÓPES MAZZ e BRACCO, 2010). Pertencem, segundo dados etnohistóricos e etnográficos, aos grupos indígenas denominados Charrua e Minuano, que ocuparam as terras baixas do Sul do Rio Grande do Sul e Uruguai (SCHMITZ, 1976). A cronologia destes sítios pode alcançar a profundidade de 5 mil anos A.P. em contextos de ocupação do interior do Uruguai, porém, na região da bacia da laguna dos Patos, as datações radiocarbônicas apontam um processo ocupacional entre 2.400 anos A.P. até 200 anos A.P. (SCHMITZ 1976; LÓPES MAZZ e BRACCO,