II INTERNATIONAL CONGRESS OF GEOGRAPHY HEALTH IV Simpósio Nacional de Geografia da Saúde Uberlândia - Brazil Geosaúde, 30 de novembro a 03 de dezembro de 2009 1018 DESIGUALDADE AMBIENTAL NO CENTRO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO Rúbia Gomes Morato Universidade Federal de Alfenas - rubiagm@usp.br Fernando Shinji Kawakubo Universidade Federal de Alfenas - fsk@usp.br Reinaldo Paul Pérez Machado Universidade de São Paulo - rpmgis@usp.br Resumo A proposta deste trabalho consiste em estudar o padrão de distribuição espacial da desigualdade ambiental no Centro de São Paulo. A desigualdade ambiental é o princípio pelo qual um grupo específico (por exemplo, étnico, racial ou econômico) é afetado por a uma carga desproporcional de problemas ambientais. Neste estudo foram utilizados dados censitários levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as bandas 3 e 4 do Landsat Enhanced Thematic Mapper Plus (ETM+), a Carta Geotécnica do Município de São Paulo e o Cadastro de Áreas Contaminadas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Foram considerados dados de infra-estrutura urbana como abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo domiciliar, a cobertura vegetal, as áreas sujeitas à inundação, as ocorrências de escorregamentos e a presença de “piscinões”. A análise dos dados foi realizada por meio de um sistema de informação geográfica com funções de processamento digital de imagens. Palavras-chave: desigualdade ambiental, justiça ambiental, qualidade de vida. Introdução A cidade de São Paulo é de longa data reconhecida por sua desigualdade social e pelos problemas ambientais potencialmente danosos à população. Entretanto, as pesquisas habitualmente tratam das duas questões separadamente. Cita-se que os dois problemas caminham juntos, mas faltam estudos que mostrem o quanto as condições sócio-econômicas podem ser determinantes na qualidade ambiental dos locais de residência da população, e consequentemente para as condições de saúde da população. Problemas ambientais e decorrentes da falta de infra-estrutura urbana atingem majoritariamente os segmentos mais desfavorecidos da população. Basta lembrar o padrão sócio-econômico dos bairros mais afetados pelas inundações urbanas como nas imediações dos córregos Pirajussara e Aricanduva, nas zonas sul e leste do município de São Paulo, respectivamente. Um caso emblemático é o da contaminação do solo e lençol freático por pesticidas de uma antiga fábrica da Shell na Vila Carioca. Testes realizados em 198 moradores pela Secretaria Municipal de Saúde mostraram que 73 apresentavam substâncias derivadas de pesticidas potencialmente cancerígenos no organismo. Há ainda as residências localizadas nas proximidades de aterros sanitários e “lixões”, para onde se deslocam grande contingente de caminhões transportando resíduos. Os