OS LUSÍADAS E A BALADA DO VELHO MARINHEIRO: HÍBRIS E NÊMESIS COMO EXPERIÊNCIA TRÁGICO-MARÍTIMA NOS VATICÍNIOS DO GIGANTE ADAMASTOR E NO FLAGELO DE MORTE E VIDA-EM-MORTE Luciano de Souza – USP Resumo: Os Lusíadas (1572), de Luís de Camões, e A Balada do Velho Marinheiro (1798), de Samuel Taylor Coleridge, são constituintes de uma extensa tradição histórico-literária que remete às explorações marítimas que ajudaram a sedimentar a transição entre o Medievo e a Idade Moderna no Ocidente. Considerando, pois, a importância do elemento marítimo na história do homem, o objetivo do presente trabalho é estabelecer um cotejo entre o épico camoniano e a balada de Coleridge tendo como eixo analítico o trato do homem com o mar – enquanto metonímia da Natureza – a partir das mundividências renascentista (representada nos versos de Camões) e romântica (expressa no poema de Coleridge). Palavras-chave: História; Explorações Marítimas; Natureza; Renascimento; Romantismo Abstract: Os Lusíadas (1572), by Luís de Camões, and The Rime of the Ancient Mariner (1798), by Samuel Taylor Coleridge, are constituent of a vast historical-literary tradition reporting to the maritime expansion which helped settle the transition between the Middle Ages and the Modern Era in the Western World. Thus, considering the importance of the maritime element in the history of man, the purpose of this paper is to confront the Camonian epic and Coleridge’s ballad by analyzing the relationship of man with the sea – as a metonym of Nature – from the Renaissance (represented in Camões’ verses) and Romantic (expressed in Coleridge’s poem) perspectives. Keywords: History; Maritime Expansion; Nature; Renaissance; Romanticism O mar. O mar de Ulisses. Jovem mar. E o daquele outro Ulisses que a gente Do Islã alcunhou famosamente De Es-Sindibad do Mar. Do gris ondear De Érico, o Vermelho, alto em sua proa, E o tal do cavaleiro que escrevia A um só tempo a epopéia e a elegia De sua pátria, no pântano de Goa. O mar de Trafalgar. O que a Inglaterra Cantou ao longo de sua longa história, O árduo mar que ensangüentou de glória No diário exercício da guerra. Esse incessante mar que na afável Manhã segue sulcando a areia infindável. Jorge Luis Borges – O Mar O mar é a religião da Natureza. Fernando Pessoa