460 ISSN 0326-2383 PALAVRAS-CHAVE: Doenças crônicas, Idosos, Medicamentos. KEY WORDS: Elderly, Medicines, Chronic illness. * Autor a quem correpondência deve ser enviada: E-mail: chriscolet@yahoo.com.br Latin American Journal of Pharmacy (formerly Acta Farmacéutica Bonaerense) Lat. Am. J. Pharm. 27 (3): 460-7 (2008) Pharmaceutical Care Received: March 14, 2008 Accepted: April 27, 2008 Utilização de Medicamentos por Idosos Inseridos em Grupos de Convivência do Município de Porto Alegre/RS/Brasil Christiane de Fátima COLET 1 *, Paulo MAYORGA 1,2 & Tânia Alves AMADOR 1,2 1 Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas/UFRGS 2 Departamento de Produção e Controle de Medicamentos/FACFAR/UFRGS, Av. Ipiranga, 2752, 90610000, Porto Alegre, RS, Brasil RESUMO. O objetivo desse trabalho foi descrever o consumo de medicamentos por grupos de idosos em Porto Alegre/RS. O modelo da pesquisa foi um estudo transversal; utilizou como instrumento de coleta de dados um questionário estruturado, amostragem intencional, sendo aprovado pelo CEP/UFRGS. A amos- tra foi composta por: 61 na classe A, 80 na classe C e de 84 na classe E. A maioria era do sexo feminino, com idade média de 70 anos. O número médio de medicamentos citados foi: na classe A = 5,34; C = 4,07; E = 4,28. Não se observou associação entre número médio de medicamentos e sexo dos entrevistados. SUMMARY. “Medicine Used by Elderly People in Acquaintanceship Groups in the City of Porto Alegre/RS/ Brazil”. The study aims to describe the medicine consumption by elderly groups in Porto Alegre/RS. The re- search followed the transversal model, using to data collection a structured questionnaire, intentional sampling, which is approved by CEP/UFRGS. The sample was composed by: 61 in class A, 80 in class C and of 84 in class E. The sample was mostly by female sex, the mean age of the subjects was 70 years old. The medicine’s mean number was: in classe A = 5.34; C = 4.07; E = 4.28. It was not observed an association between the mean num- ber of medicines and the interviewed sex. INTRODUÇÃO O envelhecimento propicia o surgimento de doenças crônico-degenerativas e de deterio- ração cognitiva podendo levar a um aumento no tempo e na freqüência de internações hospi- talares, a utilização de polifarmácia e a suscepti- bilidade a reações adversas aos medicamentos 1,2 . Os idosos representam o estrato etário que mais utiliza medicamentos na sociedade. As va- riáveis mais freqüentemente associadas à eleva- da utilização de medicamentos nesta faixa etária são: sexo feminino, aumento da idade, viver sem companheiro, internação em clínicas geriá- tricas, hospitalização, consulta a diferentes pres- critores, automedicação, doenças crônico-dege- nerativas, uso de medicamentos para tratamento de reações adversas, erros de administração, baixa percepção de saúde e baixa qualidade de vida, além do surgimento de novos medicamen- tos no mercado 2-4 . Em geral os idosos utilizam em média de dois a cinco medicamentos, valor superior ao consumido em populações mais jovens 5,6 . Se- gundo estudos epidemiológicos, a porcentagem de idosos que utiliza pelo menos um medica- mento varia de 60 a 96% 4,7,8 . A correlação entre classe social e uso de medicamentos, por ido- sos, varia em diferentes sociedades. Esta afirma- tiva pode ser ilustrada pelo estudo multicêntrico realizado com idosos na Inglaterra entre 1991 e 1994 que indicou não existir associação entre o uso de medicamentos e a classe social, e que a renda não parece influenciar o consumo de me- dicamentos prescritos aos idosos 9 , contudo, pesquisas desenvolvidas no Brasil mostram re- sultados contrários. Na cidade do Rio de Janeiro verificou-se um menor consumo de medicamen- tos entre idosos residentes em bairros de menor nível socioeconômico 10 e em Minas Gerais, Lo- yola Filho et al. 11 apontaram uma associação in-