O Olho da História, n. 18, Salvador (BA), julho de 2012. Vikings, cultura e região: o mito arqueológico nórdico dos Estados Unidos Johnni Langer Resumo: O artigo investiga a criação e popularização do mito arqueológico nórdico dos Estados Unidos a partir do século XIX. Examinamos o mito através da relação entre cultura e região no imaginário social. Empregamos como fontes primárias estudos acadêmicos, literatura, iconografia e cinema. Palavras-chave: Vikings na América, cultura e região, mito arqueológico. Résumé: Cet article étudie la création et la popularisation du mythe archéologique nordique des États-Unis de le dix-neuvième siècle. Nous avons examiné le mythe à travers la relation entre la culture et de la région dans l'imaginaire social. Nous utilisons des sources primaires études universitaires, littérature, iconographie et le cinéma. Mots-clés: Vikings en Amérique, culture et région, mythe archéologique. Como diversas outras nações constituídas a partir do século XVIII e XIX, os Estados Unidos tiveram em sua trajetória política e social a conjugação de elementos míticos que auxiliaram na criação de referenciais nacionais. Em particular, a região da Nova Inglaterra forneceu a elaboração de um mito arqueológico, que por muito tempo esteve estreitamente conectado com elementos culturais advindos de interpretações históricas. O objetivo deste artigo é a análise destes referenciais. Na primeira parte, fornecemos algumas discussões teóricas sobre a relação entre cultura e região, passando em seguida para o panorama norte-americano, e num terceiro momento, detalhamos as implicações históricas. Cultura e região Nas ciências humanas contemporâneas, talvez o conceito de cultura seja um dos mais polissêmicos e controvertidos. Do ponto de vista tradicional da antropologia, cultura representa a contrapartida do instinto biológico, sendo a capacidade humana de transformar a natureza, de se adaptar ao meio ambiente. Esses comportamentos e saberes típicos dos humanos são adquiridos e transmitidos pela aprendizagem (Laplantine, 1999, p. 120). Mas em vez de uma visão homogênea e estática do fenômeno, atualmente define-se cultura pela sua dinâmica, em permanente processo de construção, desconstrução e reconstrução. Ela é uma construção sincrônica, mas nunca existe em estado puro e nem mestiço, mas sempre misto e sua descontinuidade é mais presente na ordem temporal que espacial. Em relação ao Pós-Doutor em História Medieval pela USP, professor da UFMA. Coordenador do NEVE, Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos (www.nevevikings.tk). E-mail: johnnilanger@yahoo.com.br