Fragmentos,volume8nº1,p.07/22Florianópolis/jul-dez/1998 7 MARXISMO, LITERATURA E A POÉTICA DE WOLE SOYNKA ALVARO L. HATTNHER UNESP - São José do Rio Preto e-mail: hattnher@lem.ibilce.unesp.br I Este ensaio teve seu início em uma série de questionamentos. Quais seriam as relações entre literatura e política, se é que existem? Será que podemos nos ater, nos estudos da poesia ou do romance, apenas às relações desses gêneros artísticos com a sociedade que as produziu? Em que medida o pensamento marxista, de Marx a Mandel, pode oferecer subsídios para a elaboração de um modelo de análise literária? Podemos nos referir a uma “crítica literária marxista”? Acreditamos que tais indagações revestiram-se de maior importância nos últimos anos, em especial com as transformações no Leste Europeu e na própria ex-União Soviética, entendida erroneamente como o locus supremo da aplicação prática do marxismo no mundo. Na contracorrente dessa postura, o estruturalismo (e seus derivados), tornado moda e bandeira pela qual o crítico vive (ou morre), assumiu a posição de paradigma eterno e absoluto para a análise de todas as formas de arte, contribuindo em muito para que qualquer estudo que privilegiasse aspectos exógenos ao texto recebesse as etiquetas de “impressionista