1 Inovação para a base da pirâmide socioeconômica brasileira Margarida Graúdo a (margarida.graudo@ig.com.br); Guilherme Trez b (guilhermetrez@gmail.com) a Design Estratégico e Inovação de Mercado, UNISINOS, RS – BRASIL b Design Estratégico e Inovação de Mercado, UNISINOS, RS – BRASIL Resumo O objetivo deste artigo é refletir através da revisão teórica sobre os princípios do design estratégico e da lógica da inovação aberta como possibilidade de trazer soluções para o momento de alta complexidade que o Brasil enfrenta com 35% de sua população ocupando a base da pirâmide, e para o qual é necessário pensar de forma diferente e inovadora a fim de auxiliar na diminuição da desigualdade social e na melhoria de vida de maneira sustentável. Palavras-chave: design estratégico; inovação aberta; baixa renda. 1 A base da pirâmide socioeconômica brasileira Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE , que é o principal provedor de dados e informações sobre geociências, estatísticas sociais, demográficas e econômicas, o Brasil possui uma população de aproximadamente 191 milhões de habitantes sendo que 85% desta população 1 são constituídos de pessoas pertencentes às classes C, D e E, em uma escala de classificação baseada na posse de bens 2 . O Brasil vem passando, a pouco mais de uma década, por um fenômeno socioeconômico que promoveu a ascensão das classes baixas através do aumento de oferta de crédito, reajustes salariais, forte expansão de renda e incentivos do governo com programas sociais que ofereceram um maior poder de compra para esta parcela da população. De acordo a Fundação Getúlio Vargas e com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, os planos e ações adotados nos últimos anos fizeram com que 28 milhões de pessoas saíssem da pobreza e 36 milhões entrassem na classe média, totalizando 95 milhões de habitantes compondo a classe média brasileira, ou seja, quase 50% da população. As populações de média e baixa renda vêm chamando atenção no Brasil e no mundo pelo seu tamanho e pelo seu potencial, atraindo o interesse de diversos setores da economia, principalmente na perspectiva de consumo. O poder de compra adquirido pela classe media foi traduzido em um aumento significativo no consumo de várias categorias de produtos e serviços, movimentando R$ 550 bilhões em 2006, o que abrange um mercado maior do que o PIB da Argentina, Paraguai e Uruguai juntos. As classes média e baixa ainda teriam potencial para movimentar algo em torno de R$ 800 bilhões por ano, com a manutenção do atual quadro de estabilidade da economia brasileira. Muitas empresas mudaram seus modelos de negócio e passaram a adotar estratégias com o objetivo de capturar parte deste potencial de consumo. Com a entrada da baixa renda no mercado de consumo, passou-se da visão de uma economia de subsistência, onde as camadas populares consumiam apenas para sobreviver e para elas bastariam 1 PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – IBGE 2 O Critério de Classificação Econômica Brasil é um instrumento de segmentação econômica que utiliza o levantamento de características domiciliares (presença e quantidade de alguns itens domiciliares de conforto e grau escolaridade do chefe de família) para diferenciar a população. O critério atribui pontos em função de cada característica domiciliar e realiza a soma destes pontos. É feita então uma correspondência entre faixas de pontuação do critério e estratos de classificação econômica definidos por A1, A2, B1, B2, C1, C2, D, E.