Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural 1 Controvérsias sobre a noção de Indicações Geográficas enquanto instrumento de desenvolvimento territorial: a experiência do Vale dos Vinhedos em questão Paulo Andre Niederle Grupo de Pesquisa: 9 - Desenvolvimento Rural, Territorial e Regional Resumo Nos últimos anos tem sido crescente o número de estudos dedicados às Indicações Geográficas (IGs) para produtos agroindustriais e artesanais. Dentre as questões abordadas, uma tem recebido especial atenção: o potencial das IGs enquanto instrumento de desenvolvimento territorial (Flores, 2007, Polita e Basso, 2006, Dullius et al, 2008, Tonini e Macke, 2007, Froehlich et al., 2008). De modo geral, o debate tem sido marcado por duas perspectivas: por um lado, estudos que acentuam o potencial das IGs enquanto instrumento de agregação de valor, acesso a mercados e impulsionador de dinâmicas cooperativas, confiança e inovação. Por outro, autores que acentuam o caráter limitado e excludente das IGs, as quais seriam um instrumento privilegiado de grupos sociais economicamente mais favorecidos. O artigo aborda as controvérsias que envolvem esta discussão tendo como pano de fundo a experiência da Indicação de Procedência Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha. Argumenta-se que as IGs constituem uma ferramenta genérica que faz sentido para diferentes contextos e atores sociais. Trata-se de uma estratégia de qualificação que não é inerentemente impulsionadora de dinâmicas territoriais de desenvolvimento, mas que pode assim se constituir em virtude do modo com que permite aos atores locais potencializar os ativos intangíveis do território, o que se dá num ambiente hibrido de lógicas de ação onde o conflito e a disputa por recursos são fatores tão significativos quanto à cooperação e a confiança. Palavras-chaves: Indicações geográficas; Desenvolvimento territorial; Cooperação; Inovação; Agregação de valor. Abstract In the recent years, more and more studies have been devoted to the Geographical Indications (GIs) for agro-industrial and artisan products. Between the questions more prominent, one has received special attention: the GIs potential as instrument of territorial development (Flores, 2007, Polita and Basso, 2006, Dullius et al, 2008, Tonini and Macke, 2007, Froehlich et al., 2008). In general, the debate has been marked for two perspectives: on the one hand, there are studies that accent the GIs potential while instrument of value- addition, markets access and booster of the cooperative dynamic, confidence and innovation. In the other hand, analysts show the limited and excluding character of the GIs, which would be a privileged instrument of economically more favored social groups. The paper discusses the controversies that involve this quarrel from the experience of Vale dos Vinhedos in the Serra Gaúcha region. It argues that GIs constitutes a generic tool that