1 A POLÍTICA E O OLIMPISMO Francisco Carlos Lemes de Menezes 1 Centro Universitário Feevale/Novo Hamburgo/Rio Grande do Sul/ Brasil Email: franciscoclm@feevale.br Gustavo Roese Sanfelice 2 Centro Universitário Feevale/Novo Hamburgo/Rio Grande do Sul/ Brasil Email: sanfeliceg@feevale.br INTRODUÇÃO O esporte é o principal fenômeno social deste século. Em cem anos passou da prática e da organização incipiente à atividade profissional com imensos recursos tecnológicos e um destaque imensurável na industria do entretenimento e do lazer. Tem-se nos Jogos Olímpicos o maior evento esportivo contemporâneo. O Olimpismo é a filosofia que rege os Jogos Olímpicos da Era Moderna. A base do ideal Olímpico perpassa culturas, etnias, tornando-se uma proposta audaz do Barão Pierre de Coubertin, que em 1894, se sentiu provocado a retomar os Jogos Olímpicos. A retomada se deu 15 séculos depois do cancelamento dos Jogos pelo Imperador Romano Teodósio que, convertido ao cristianismo, em 393 d.C., depois de aproximadamente 12 séculos de disputa, proibiu os cultos considerados, por ele, pagãos. Das ruínas da cidade de Olímpia, na Grécia, surgiu à inspiração para que Pierre de Fredy, futuro Barão de Coubertin, tivesse a idéia de criar um evento mundial. Viajando pelo mundo, incumbido pela França de comandar uma reforma no ensino e procurando novas experiências, vislumbrou o globo como um grande pátio de colégio onde os países se reuniriam periodicamente para medir forças e habilidades. A idéia proposta pela frase de um Bispo da Pensilvânia, de que se apropriou o Barão de Courbetin, “o importante não é vencer, mas sim participar”, somente foi usada desde seu início para justificar derrota e defender nobres valores. Esta expressão, somente terá sentido para os que não procuram a vitória. O importante mesmo é vencer, por suas bandeiras e pelas marcas de seus patrocinadores. “Mais alto, Mais Rápido e Mais Forte”, foi o grande lema, e a participação só valeu com a vitória. Os grandes feitos, recordes e superações ocorridas no decorrer dos Jogos Olímpicos são notícias constantes nos jornais, rádio e televisão. Livros são escritos e filmes são produzidos enaltecendo a glória Olímpica. Muitos são os Heróis que surgem e desaparecem antes e depois de cada Olimpíada. Governos e Ideologias Políticas sempre usam vitórias e superações pessoais como uma eficiente propaganda. Segundo Cardoso (1996) “Os Jogos estão cheios de drama, heroísmo, generosidade, humor, traição, fraude. Os melhores sentimentos e os piores defeitos da espécie fazem parte de sua identidade”. Desde o seu início, os Jogos, baseados no Ideal Olímpico de Coubertin, pretendiam que fossem enaltecidas a formação do caráter, e o desenvolvimento harmonioso do corpo da juventude bem como a promoção da paz entre os povos. Porém, ao decorrer do século XX com o desenvolvimento urbano-industrial, os Jogos Olímpicos Modernos passaram a ser objeto de inúmeros campos, sendo o campo econômico e o político os principais que se “apropriam” deste fenômeno. Este ensaio tem como objetivo resgatar os processos históricos dos Jogos Olímpicos Modernos, evidenciando as correntes ideológicas que se estabeleceram desde 1896 em Atenas, quando o Barão Pierre de Coubertin resgatou os Jogos Olímpicos Modernos. 1 Professor Especialista do Curso de Educação Física do Centro Universitário Feevale/Novo Hamburgo e doutorando em Ciência da Educação na Universidade das Ilhas Baleares/Espanha 2 Mestre em Ciência do Movimento Humano /CEFD/UFSM e professor do Curso de Educação Física do Centro Universitário Feevale/Novo Hamburgo.