Ferreira, E. (2011). Questões de género e orientação sexual em espaço escolar, in I Seminário Latino-Amerciano de geografia e Género: Espaço, Género e Poder/Pré-encontro da Conferência Regional da União Geográfica Internacional: Conectando fronteiras, 8-11 November. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO). 1 Questões de género e orientação sexual em espaço escolar Eduarda Ferreira e-Geo, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, UNL e.ferreira@fcsh.unl.pt Resumo A presente comunicação enquadra-se nas interseções entre as questões de género, orientação sexual e espaço escolar. Durante os anos de juventude as questões identitárias assumem particular relevo, e o espaço escolar é um ambiente privilegiado das interações dos jovens. Neste contexto, a análise de potenciais impactos do espaço escolar nas identidades sociais dos jovens pode contribuir para uma maior compreensão deste tema. Na presente comunicação serão abordados aspetos relacionados com questões de género e de orientação sexual, e a forma como o espaço escolar reflete e promove discursos hegemónicos que potenciam situações de discriminação e de exclusão. A abordagem deste tema será feita com base na análise de informação recolhida no fórum online da Associação rede ex aequo - associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes. Este fórum online tem a participação maioritária de jovens e muitos dos seus tópicos de discussão são relacionados com as suas experiências em contexto escolar. De seguida, são apresentados e analisados diversos projetos sobre orientação sexual e identidade de género em contexto escolar em Portugal. No final do artigo é feita uma reflexão sobre estratégias de intervenção e políticas educativas para a promoção da escola como um espaço mais seguro e inclusivo para todas e todos. Introdução A presente comunicação enquadra-se nas interseções entre as questões de género, orientação sexual e espaço escolar. As identidades sociais e o espaço têm uma relação mútua de constituição e reprodução, que nos leva à constatação de que o espaço reflete as relações de poder e os discursos hegemónicos, e de que a desigualdade se pode perpetuar através das formas pelas quais o espaço é organizado, vivenciado, representado e criado (MASSEY, 1999; MITCHELL, 2000; SMITH, 1991; VALENTINE, 2007).