1 O Poder da Dominação. Juarez Bento da Silva Resumo — Riane Eisler propõe em sua Teoria da Transformação Cultural, que os grupamentos humanos são governados basicamente por uma transição gradual entre dois modelos antagônicos, o de Parceria e o de Dominação. O Primeiro se baseia na mútua confiança entre grupos diferenciados da sociedade e recíproca colaboração, já o Segundo no controle coercivo e opressivo de um ou mais grupos sobre outros. O texto aqui apresentado procura efetuar algumas considerações sobre a forma e as práticas de dominação no estágio atual de nossa sociedade. Palavras Chave — Modelo de parceria, modelo de dominção, Teoria da Transformação Cultura. I. INTRODUÇÃO termo “parceria” significa muito mais do que simplesmente trabalhar junto e se oferece como um modo completamente diferente de estruturar as relações humanas. Atualmente, termo “parceria” é utilizado com muitos significados diferentes, que vão desde as relações entre comerciantes, alianças empresariais e a ênfase no trabalho em equipe até um novo espírito de procurar oportunidades para colaboração em uma sociedade conectada. Porém, “parceria” deverá ser muito mais que apenas uma nova palavra que está na moda, pois, ela literalmente traz o clamor por uma mudança completa no modo como o nosso mundo vê as coisas e acima de tudo, como são tratadas. Vivemos sob um modelo de dominação, através dos tempos, dominação caracterizada por criar uma grande disparidade entre os gêneros e um alto grau de violência institucionalizada, que em sistemas sociais maiores é aplicada invariavelmente de diversas J. B. Silva. Federal University of Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brazil. (e-mails:juarez@unisul.Br, Caixa Postal 476, EGC/UFSC, 88040-900, Florianópolis, SC, Brazil). formas: prisão política, torturas, brutalidades policiais ou violência familiar. Em um modelo de dominação, são posicionados os homens acima das mulheres, raça sobre raça ou nação sobre nação, tudo isso apoiado através do medo, da intolerância, da intimidação e da violência. II. VIVEMOS ATRAVÉS DA HISTÓRIA? A evolução mundial nos seus diversos estágios tem imposto novas fórmulas de controle, se o velho modelo de ditadura, adotado por Hitler, Mussolini ou Franco, não sobrevive mais, a não ser para Ariel Sharon e alguns menos destacados, mas não menos cruéis, novos modelos de ditadura controlam as nações ou as pessoas e não necessariamente necessitam do emprego da força explícita contra uma maioria adormecida. O autor americano James O’toole, em Leading Change, cita a passividade e o escasso protagonismo de tantos e tantos cidadãos, para ele reencarnação moderna dos escravos do tempo de Platão, cujo papel era quase insignificante. Seria o hábito da comodidade de que outros decidam, ou medo psicológico de dar um passo para frente e se comprometer, observa-se uma sociedade de adultos que se comportam de modo parecido ao descrito por Herman Hesse em Sidarta: todos são submissos, e todos gostam de ser amigos, obedecer e pensar pouco. Os adultos são como as crianças”. E a história se repete, quando não vejo grande diferença entre os que ontem condenaram Giordano Bruno e Darwin e os que hoje condenam Pasternak e Saramago, quando não percebo grande diferença entre os Processos de Moscou e a era do senador McCarthy, quando não vejo diferença entre as entre a Invasão de Santo Domingo ou Granada pelos USA e a Invasão da Tchecoslováquia ou Hungria O