XIX Jornada de Iniciação Científica PIBIC INPA - CNPq/FAPEAM Manaus - 2010 PASSALIDOFAUNA (INSECTA: COLEOPTERA) DA RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO UATUMÃ, AMAZONAS, BRASIL Ediene Borges da SILVA 1 ; Fernando Bernardo Pinto Gouveia 2 ; Claudio Ruy V. da FONSECA 3. 1 Bolsista PIBIC/INPA/FAPEAM; 2 Orientador INPA/CPEN; 3 Coorientador INPA/CPEN. 1. INTRODUÇÃO Os Coleoptera ocorrem em diversos tipos de ambientes. Mais de 350.000 espécies estão descritas (1/5 dos organismos vivos) (Vanin & Ide, 2002). Erwin (1982), com base em estudos de florestas pluviais do Panamá, Brasil e Peru, estimou que podem existir cerca de 12.000.000 espécies de besouros. Os Passalidae são um grupo morfologicamente homogêneo, com cerca de 650 espécies. Possuem hábitos silvícolas, comportamento subsocial e distribuição pantropical (Reyes-Castillo, 2000). As espécies neotropicais pertencem à sub-família Passalinae, tribos Passalini e Proculini (Reyes-Castillo, 1970). No Brasil ocorrem oito gêneros e 98 espécies (Fonseca e Reyes-Castillo, 2004). Estudos realizados em ambientes amazônicos demonstram a sua diversidade e composição; Buhrnheim & Aguiar 1991; Fonseca, 1988; 1990; 1992; 1998; Fonseca e Reyes-Castillo, 1993; 1994; 2004; Fonseca & Ribeiro, 1993; Reyes-Castillo & Fonseca. Sendo degradadores de madeira, adultos e imaturos vivem em colônias nos troncos mortos de bosques tropicais. Os troncos estão constituídos em casca, entre-casca, alburno e cerne, onde os Passalidae abrem galerias para formação da colônia. Podem viver em colônias com um casal de adultos ou com muitos adultos, larvas de vários ínstares e pupas. Desta forma, seus hábitos alimentares favorecem a degradação física e biológica da madeira, reintegrando-a ao ciclo de nutrientes, uma vez que chegam a processar um terço dos troncos apodrecidos onde vivem; Reyes-Castillo & Halffter, 1984; Castillo & Reyes-Castillo, 1997; Schuster & Schuster, 1997). As campinas são ambientes com baixa diversidade vegetal (Anderson, 1981; Barbosa & Ferreira, 2004); sua vegetação é baixa, muito ramificada, de cascas espessas, cobertas de epífitas, aberta e escleromórfica; ocorrem em solos arenosos da bacia do rio Negro (Lisbôa, 1975; Prance, 1975; Anderson, 1981). Endemismos, baixa diversidade de espécies e área territorial reduzida tornam as campinas prioritárias para conservação ambiental; BRASIL, 2001; PROBIO, 2003). Até o momento, apenas Silva et al. (2009) abordaram Passalidae de áreas de campinas amazônicas. Existem unidades de conservação próximas de Manaus com a vegetação ainda preservada, inclusive com grandes áreas de campinas naturais, ideais para estudos ecológicos, taxonômicos e de composição faunística. Uma delas é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã (RDS Uatumã). Este trabalho determina a composição dos Passalidae em campinas da RDS Uatumã, estabelece a densidade de indivíduos de Passalidae por colônia e por tronco colonizado, verifica a estratificação das colônias nos troncos e identifica as famílias botânicas dos troncos colonizados. 2. MATERIAL E MÉTODOS As coletas foram realizadas nos meses de junho, agosto, outubro e dezembro de 2009 e março de 2010 em uma área de campina da RDS do Uatumã. A RDS Uatumã foi criada pelo Decreto 24.295 / 2004 e tem área de 424.000 hectares. Está localizada nos municípios de São Sebastião do Uatumã e Itapiranga; é cortada em toda a sua extensão pelo Rio Uatumã. A vegetação predominante é a floresta de terra firme, havendo também áreas de igapó, baixio, campinas e campinaranas. Um dos destaques da reserva é que ela é um dos remanescentes do ambiente que foi perdido com a construção da hidrelétrica de Balbina (Fonte: http://www.isa.org.br/uc/4244/ambiental, acesso: 13 out 2008). Os Passalidae foram coletados em troncos mortos, localizados através de busca ativa (três dias por mês, quatro horas diárias). Os troncos eram avaliados quanto ao grau de decomposição, depois eram abertos com machadinhas e facões, aplicando-se golpes tangencias para retirar lascas de madeira, até encontrar as galerias com os Passalidae; os adultos eram coletados com as mãos e os imaturos com pinças; Os Passalidae eram acondicionados em frascos de vidro contendo solução fixadora, para transporte e identificação no laboratório da CPEN; os frascos recebiam etiquetas com dados informativos referente aos troncos e ao local de coleta. Para verificar a estratificação das colônias, os troncos eram inicialmente descascados, para constatar a ocorrência de Passalidae no interstício alburno-casca. A parte do tronco em contato com o solo também era examinada. No laboratório, os Passalidae foram triados, secos e armazenados; a identificação foi realizada sob a supervisão dos orientadores, com o auxilio de lupa e literatura específica. De cada tronco onde ocorreram Passalidae foi retirado um fragmento de madeira, com cerca de cinco centímetros, para identificação botânica pelo CPPF/INPA.