2105 Actas do VII Simpósio Nacional de Investigação em Psicologia Universidade do Minho, Portugal, 4 a 6 de Fevereiro de 2010 Como as Percepções de Virtuosidade Organizacional Explicam o Empenhamento e os Comportamentos de Cidadania Organizacional Neuza Ribeiro 1 & Arménio Rego 2 1 ESTG – Instituto Politécnico de Leiria 2 Universidade de Aveiro O estudo procura mostrar como (a) as percepções de virtuosidade organizacional dos indivíduos explicam os seus níveis de empenhamento organizacional, (b) o empenhamento organizacional influencia os comportamentos de cidadania organizacional (CCO), (c) as percepções de virtuosidade organizacional predizem directamente os CCO, e (d) o empenhamento organizacional medeia a relação entre as percepções de virtuosidade e os CCO. Foram inquiridos 212 indivíduos oriundos de 14 organizações do sector industrial. Os indivíduos descreveram as suas percepções de virtuosidade e o seu empenhamento para com a organização; os seus CCO foram relatados pelo respectivo supervisor. Os principais resultados sugerem que (a) as percepções de virtuosidade organizacional explicam o empenhamento afectivo e o empenhamento normativo, (b) o empenhamento normativo fomenta os comportamentos altruístas, (c) as percepções de virtuosidade organizacional explicam o desportivismo, a virtude cívica, o altruísmo, e o CCO global, e (d) o empenhamento normativo medeia a relação entre as percepções de virtuosidade e o altruísmo. Palavras-chave: Virtuosidade organizacional, empenhamento organizacional, comportamentos de cidadania organizacional. 1. INTRODUÇÃO Face aos recentes escândalos empresariais ocorridos em várias partes do mundo, a comunidade empresarial, a imprensa popular e económica e os investigadores parecem assumir que cultivar virtudes, tanto a nível individual como organizacional, pode fomentar a melhoria individual e o desempenho organizacional (George, 2003; Wright & Goodstein, 2007). Vários investigadores realçam que é preciso colocar as virtudes e a virtuosidade na agenda de pesquisa empresarial e de gestão dos nossos dias (e.g., Gavin & Mason, 2004; Gowri, 2007; Lilius, Worline, Maitlis, Kanov, Dutton & Frost, 2008; Moore & Beadle, 2006; Wright & Goodstein, 2007). Outros autores começaram a investigar empiricamente este tópico (e.g., Bright, Cameron & Caza, 2006; Cameron, Bright & Caza, 2004).