1 RELAÇÕES RACIAIS E FORMAÇÃO DE PROFESSORAS NO ESTADO DO PARÁ COELHO, Wilma de Nazaré Baía. (UFPA) wilmacoelho@yahoo.com.br Resumo: O texto mostra um dos graves problemas da educação no Brasil: o não enfrentamento da discriminação e do preconceito. Mais do que denunciar sua existência, ele analisa uma de suas matrizes: a ausência da discussão sobre Raça, Cor e Preconceito na formação do docente no Pará. Por meio da análise da formação oferecida pelo Instituto de Educação do Estado do Pará, uma instituição secular, referência para a formação docente no Estado do Pará, demonstra que boa parte das ações das professoras decorreu de uma formação que não tratou de aspectos fundamentais, como as narrativas sobre a constituição da nacionalidade brasileira. Conclui-se que, a despeito de sensíveis avanços advindos dos movimentos sociais em relação à questão racial desde a década de 1960, a formação de professores se apresenta como um fator que continua contribuindo na reprodução de estereótipos e discriminações. Palavras-chave: escola, reprodução, discriminação racial, formação de professoras. A Escola como matriz da intolerância: um estudo sobre a formação de professores e a discriminação racial No Brasil, a cor é uma instituição confusa. Ela existe e não existe. É confuso mesmo: o Brasil é tido como mestiço, seus ícones culturais são mestiços, todavia, somos um país onde a cor aparece pouco. A cor no Brasil é como aquele sujeito que está só de corpo presente – ele está ali, mas ninguém vê, ninguém nota, ninguém se interessa. Todos sabem que está, mas não há manifestação, reconhecimento, valorização ou coisa que o valha que indique que aquele sujeito está vivo, é importante, é querido. Este texto problematiza como a cor esteve ausente da formação de professores oferecida pelo Instituto de Educação do Estado do Pará (IEEP), a despeito da presença maciça de