CAPÍTULO 12 O GRAU DE INTERNACIONALIZAÇÃO DAS FIRMAS INDUSTRIAIS BRASILEIRAS E SUAS CARACTERÍSTICAS M ICROECONÔM ICAS* Victor Prochnik* * Luiz Alberto Esteves* * * Fernando Morais de Freitas* * * * 1 INTRODUÇÃO Este capítulo mostra características da internacionalização das empresas in- dustriais de capital brasileiro e avaliar seus determinantes microeconômicos. Primeiro, é visto que o grau de internacionalização das firmas brasileiras varia segundo sua produtividade, testando e comprovando, para o Brasil, a hipótese de Helpman, Melitz e Rubinstein (2004): as empresas industriais de capital brasileiro que realizam Investimento Direto no Exterior (IDE) têm produtivi- dade significativamente maior que as empresas semelhantes que apenas expor- tam. Estas últimas, por sua vez, têm produtividade significativamente maior que aquelas que não exportam nem investem no exterior. Após tais constatações, é visto que no Brasil os diferenciais de produtivi- dade entre as três categorias de empresas são bem maiores que nos Estados Unidos. Este é um problema conhecido na literatura latino-americana como heterogeneidade estrutural, que tem sido pouco discutido recentemente – Cimoli (2005) é uma exceção. Este estudo enfatiza sua atualidade e procura enumerar seus impactos econômicos. Também são analisadas duas políticas que podem amenizar o problema da forte heterogeneidade estrutural, a políti- ca tecnológica e as melhorias nas condições e custo do crédito. Percebe-se, ainda, que diversas outras variáveis, além da produtividade, são correlacionadas com o grau de internacionalização das firmas industriais brasileiras: número de pessoas ocupadas, tempo de estudo médio do pessoal ocupado, tempo médio de emprego, renda média do pessoal ocupado, gastos em pesquisa e desenvolvimento sobre receita líquida de vendas, gasto total em * Os autores agradecem o apoio dos estatísticos Patrick Alves, Cristiane Torres e Gustavo Costa. O suporte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a qualidade dos dados disponíveis foram determinantes na realização dessa pesquisa. Agradecem também as sugestões de Bruno César de Araújo e João De Negri. * * Professor do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). * * * Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutorando da Universidade de Siena. * * * * Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).