Rev. bras. paleontol. 15(2):141-152, Maio/Agosto 2012 © 2012 by the Sociedade Brasileira de Paleontologia doi:10.4072/rbp.2012.2.03 141 NOVA ESPÉCIE DE SPHENOPHYTA NO EOPERMIANO DO RIO GRANDE DO SUL (GRUPO ITARARÉ, BACIA DO PARANÁ) GUILHERME ARSEGO ROESLER & ROBERTO IANNUZZI Departamento de Paleontologia e Estratigraia, Instituto de Geociências, UFRGS, Cx.P. 15001, 91.509-900, Porto Alegre, RS. guilherme.paleonto@gmail.com, roberto.iannuzzi@ufrgs.br ABSTRACT – NEW SPECIE OF SPHENOPHYTA IN EARLY PERMIAN OF RIO GRANDE DO SUL (ITARARÉ GROUP, PARANÁ BASIN). A new species of Sphenophyta from Lower Permian strata of the Paraná Basin is recorded herein, which is characterized by its long free lealets and shows similarities with forms, assigned to morphogenera Phyllopitys Zalessky and Annulina Neuburg, typical taxa from “Angarian Flora”. The specimens come from two different sections, both belonging to the Itararé Group (Supergroup Tubarão), situated at the Morro do Papaléo outcrop, in the municipality of Mariana Pimentel, Rio Grande do Sul State, southern Brazil. Some of the study specimens were previously classiied as Phyllotheca indica Bunbury. Nevertheless a more accurate analysis indicated that specimens are not really belonging to this morphospecies. New collections and comparisons with other already described specimens led to the proposition of a new species of the genus Phyllotheca. Despite the similarities with Phyllopitys, dificulties in the characterization of this morphogenus and the absence of fertile portions in this material did not permit to establish a real botanic afinity between this form and Angarian ones. Anyway, one cannot discard the possibility that apparent similarity amongst vegetative portions just represents a phenomenon of homoplasy, as already assigned to other similar loristic elements found in distinct Paleozoic loral realms. Key words: Sphenophyta, Morro do Papaléo outcrop, Itararé Group, Rio Grande do Sul State, Early Permian. RESUMO – Apresenta-se aqui uma nova morfoespécie de esfenóita para o Eopermiano da bacia do Paraná, a qual se caracteriza por possuir longos folíolos livres e alguma semelhança com formas assinaladas aos morfogêneros Phyllopitys Zalessky e Annulina Neuburg, táxons típicos da “Flora Angárica”. Os espécimes provêm de duas seções distintas, pertencentes ao topo do Grupo Itararé (Supergrupo Tubarão), que aloram no Morro do Papaléo, município de Mariana Pimentel, Rio Grande do Sul. Alguns dos espécimes estudados foram previamente classiicados em Phyllotheca indica Bunbury, porém, uma análise detalhada indicou que eles não pertenciam a esta morfoespécie. Novas coletas e comparações com amostras já descritas possibilitaram incluir estes espécimes numa nova espécie do morfogênero Phyllotheca. Apesar da similaridade com Phyllopitys, problemas na caracterização deste morfogênero e a ausência de ramos férteis no material estudado, não permitiram estabelecer uma real ainidade botânica entre esta forma e as angáricas já conhecidas. De qualquer modo, não se descarta a possibilidade de que a aparente semelhança entre as porções vegetativas represente apenas mais um fenômeno de homoplasia, como já assinalado para outros elementos lorísticos similares encontrados em distintos reinos itogeográicos paleozoicos. Palavras-chave: Sphenophyta, aloramento Morro do Papaléo, Rio Grande do Sul, Grupo Itararé, Eopermiano. INTRODUÇÃO Diversos trabalhos tratam sobre as ocorrências das Sphenophyta em estratos do Permiano Inferior da bacia do Paraná, uma vez que eles se constituem em um dos grupos vegetais mais comuns e abundantes nesse intervalo estratigráico da bacia (White, 1908; Lundqvist, 1919; Read, 1941; Rösler, 1974; Millan & Dolianiti, 1977, 1979, 1980; Andreis et al., 1980; Guerra-Sommer & Cazzulo-Klepzig, 1981; Cazzulo-Klepzig & Guerra-Sommer, 1983; Guerra- Sommer et al., 1985; Oliveira-Babinski, 1988; Iannuzzi, 2000, Rohn & Rösler, 1987, 2000; Rohn & Lages, 2000; Zampirolli et al., 2000; Boardman, 2006; Boardman et al., 2007; Roesler et al., 2008; Boardman & Iannuzzi, 2010). Em termos de registro fossilífero do Rio Grande do Sul, o aloramento Morro do Papaléo possui uma riqueza ímpar de restos e vestígios de plantas fósseis, constituindo-se em um dos principais aloramentos do estado (síntese em Iannuzzi et al., 2003a,b, 2006, 2007). O grupo das Sphenophyta é um dos mais bem representados nesta localidade, com uma diversidade aparentemente incomum de formas, além da preservação in situ (em posição de vida) de diversos espécimes em um raro registro de associação do tipo auto-parautóctone de membros do grupo (Iannuzzi et al., 2006, 2007). Portanto, um estudo dedicado à classiicação taxonômica das Sphenophyta desta localidade vem sendo desenvolvido, a im de possibilitar a realização de trabalhos futuros com um enfoque mais paleoecológico, evolutivo e ROESLER & IANNUZZI.indd 141 30/08/2012 20:50:48