2 as Jornadas de Engenharia Hidrográfica Lisboa, 20-22 de Junho de 2012 Sistemas de Informação Geográfica na gestão do Património Cultural Subaquático: a experiência da Carta Arqueológica Subaquática de Cascais. J. Freire (1), J. Bettencourt (1) e A. Fialho (2) (1) Centro de História Além-Mar/Faculdade Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Universidade dos Açores - jorge.vfreire@gmail.com. (2) Departamento de Cultura /Câmara Municipal de Cascais. Resumo: Os programas de Carta Arqueológica subaquática aparecem como uma forma de gestão da costa e do litoral a partir das evidências da cultura marítima. Como fonte informativa e como ferramenta de pesquisa do conhecimento, estes programas têm nos sistemas de informação geográfica a interactividade necessária para realizar uma aproximação quantitativa no âmbito da investigação, na conservação, na valorização dos sítios e no ordenamento dos interfaces aquáticos. Neste resumo, damos conta da utilização de SIG no projecto de carta arqueológica Subaquática do Litoral de Cascais. Palavras chave: arqueologia, Cascais, Sistemas de Informação Geográfica, património cultural subaquático, gestão do território. 1. INTRODUÇÃO Praticamente todas as actividades humanas resultam em vestígios materiais com expressão geográfica e espacial. Nas últimas décadas, à escala internacional, assistimos por isso à utilização generalizada de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) na gestão do património cultural subaquático (PCS) (Bradford et al., 2003; Alonso Villalobos et al., 2007; Hootsen e Dijkman, 2009). Sem se debruçar especificamente sobre o PCS, em Portugal esta abordagem ao património teve repercussões ao nível do estado central na concepção do Endovélico, desenvolvido pelo ex: Instituto Português de Arqueologia e actualmente administrado pelo IGESPAR IP., um sistema de informação e gestão que inclui dados relacionados com o património arqueológico nacional (Divisão de Inventário do Instituto Português de Arqueologia, 2002). A nível local, a utilização de sistemas de informação com atenção ao PCS encontrou as primeiras experiências no litoral de Cascais, onde se têm vindo a introduzir desde 2006 os dados relativos a naufrágios e a outros achados subaquáticos no In Patrimonium, sistema de informação dos Bens Culturais utilizado pela Câmara Municipal de Cascais. No último ano este projecto SIG alargou-se, visando não só a gestão do litoral mas também a análise da paisagem cultural marítima e arqueologia costeira. Quando aplicado, estes conceitos obrigam a redefinição do todo o sistema, passando a abarcar dados relacionados com o ambiente natural, com os aspectos sociais e cognitivos, e com a antropização do território. Este resumo dá conta do quadro teórico e do SIG actualmente em desenvolvimento no CHAM para aplicação nos seus trabalhos de gestão e investigação do litoral. 2. UMA APROXIMAÇÃO GEOGRÁFICA AO PCS DE CASCAIS 2.1 Enquadramento teórico Iniciado em 2005, o projecto de Carta Arqueológica Subaquática de Cascais (ProCASC) assenta em dois pilares de análise cujas influências derivam das abordagens realizadas no Norte da Europa, Estados Unidos e Austrália. O primeiro, visa estabelecer e identificar os elementos culturais que caracterizam a dinâmica marítima da costa, terrestres e subaquáticos, cujo conceito de Maritime Cultural Landscapes dá corpo (Westerdahl, 1992; 2011). O segundo, procura interpretar a arqueologia costeira, questionando sobretudo o impacto e a influência que o ambiente e os processos marítimos tiveram na ocupação humana, principalmente nas continuidades e dinâmicas, nos aspectos sociais e nas percepções mentais e naturais da costa (Ford, 2011). A nossa área de estudo encontra-se geograficamente demarcada por dois pontos fortemente destacados no litoral, o Cabo da Roca e a Fortaleza de São Julião da Barra. Localiza-se num dos extremos de área marítima designada como Enseada Entre-os-Cabos, porque é limitada pelo Cabo da Roca, a Norte, e o Cabo Espichel, a Sul, e cortada pelo Tejo, um dos principais rios da Península Ibérica. Como elementos de análise da costa de Cascais temos considerado os vestígios humanos que se relacionam directamente ou indirectamente com a actividade marítima, nomeadamente os sítios arqueológicos subaquáticos, as zonas históricas de naufrágios, os sítios terrestres (fortes, fortalezas, faróis e cruzeiros), os dados de terreno directamente ligados aos aspectos náuticos (toponímia,