XML na Modelação de Sistemas Hipermédia Luís Carriço, Rui Lopes, Miguel Rodrigues e Amadeu Dias Departamento de Informática, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Bloco C5, Piso 1, Campo Grande, Lisboa Neste artigo apresenta-se uma metodologia de construção de aplicações hipermédia, com base nas aproximações sistemáticas de concepção destes sistemas. Destas aproximações que genericamente introduzem modelos a três níveis de abstracção (conceptual, de navegação e de apresentação), optou-se por recorrer às variantes orientadas a objectos, em particular à UWE. Esta propõe extensões à UML, sob a forma de estereótipos, que estabelecem interligações entre os modelos. O trabalho aqui descrito apresenta uma solução para a tradução integrada e congruente destes modelos para especificações XML, que, por sua vez, permitem com recurso ao XSLT e a CSS a geração de aplicações hipermédia. Estas aplicações assim geradas e fortemente baseadas nos modelos de concepção sustentam, não só uma clara separação entre estrutura de informação e apresentação, como também apresentam fortes características de coerência ao nível da interface com o utilizador. Finalmente é apresentado um caso de estudo em que a metodologia foi aplicada dando origem a um protótipo de um sistema hipermédia. 1. Introdução A criação de sistemas hipermédia e, em particular, a sua concretização na Web tem, na sua grande maioria, seguido uma aproximação desregrada com consequências frequentemente desastrosas, em termos de coerência, quer a nível da estrutura, da navegação ou mesmo da apresentação, que se reflecte naturalmente na sua usabilidade. A utilização de metodologias de concepção, com ênfase nos aspectos de modelação, tem, tal como noutras áreas, emergido como forma de minimizar o problema. Das várias propostas oferecidas, desde o HDM [11][10], ao OOHDM[22][23], passando pelo RMM [14][15] e outras[17], surgiu recentemente a UWE [3][12][18]. A UWE (UML-based Web Engineering approach) tenta integrar as ideias específicas dessas metodologias, orientadas para os sistemas hipermédia, nas capacidades da UML [4]. Esta linguagem, fortemente divulgada, é suficientemente genérica e extensível para que possa abarcar essa integração, cobrindo as diversas frentes do processo de modelação que devem ser suportadas na concepção dos sistemas hipermédia. Genericamente pode dizer-se que as metodologias de concepção de sistemas hipermédia seguem de perto as aproximações sistemáticas e iterativas dos modelos de processos de desenvolvimento de software (e.g. Processo Unificado [16]) com particular ênfase na iteração, tendo em conta a riqueza, flexibilidade e requisitos de usabilidade inerentes ao conceito “hipermédia”. Todavia, nas fases de análise e concepção (“design”) alargam e organizam as aproximações genéricas, sistematizando-as na modelação: (1) da estrutura de informação subjacente (modelo conceptual); (2) da informação e estrutura de navegação (modelos de navegação); (3) e da apresentação (modelo de apresentação), esta última com variantes ao nível estrutural e dinâmico nas metodologias orientadas para objectos (e.g. UWE e OODHM). Também nestas é comum a utilização de Casos de Uso como meio de fundamentar os modelos, particularmente as perspectivas de navegação e, posteriormente, as de apresentação. Ao nível da estrutura de conceitos, e usando como base a UWE [13] e a sua relação com a UML, as extensões fundamentais colocam-se nos modelos de navegação e apresentação. Nos primeiros introduzem- se abstracções (na forma de estereótipos) de contextos, índices, menus, visitas guiadas e interrogações [3] que são usados em diagramas de classes UML, focados nos aspectos de navegação. Nos segundos são