Os efeitos da fadiga no processo de tomada de decisão em tarefas desportivas Araújo, D., & Esteves, P. Laboratório de Psicologia do Desporto; Faculdade de Motricidade Humana; Universidade Técnica de Lisboa Resumo De acordo com a perspectiva ecológica a decisão funde-se com a acção na prossecução dos objectivos estabelecidos para o atleta e para a equipa. Tomar decisões é orientar mudanças ao longo de um curso de interacção entre o indivíduo e o contexto, visando um objectivo. Á medida que a competição se desenvolve o inevitável aparecimento da fadiga influencia o estado de relação funcional do atleta com o seu ambiente. Este estudo teve como objectivo explorar o modo como o objectivo de uma tarefa decisional é concretizado, através da acção, sob diferentes condições de fadiga. Á luz da teoria dos sistemas de acção quando um indivíduo age para atingir um objectivo todos os seus sistemas (psicológicos, biológicos) se auto-organizam. Neste sentido a acção não é mecânica, específica de certas estruturas anatómicas, mas sim funcional na relação que os sistemas de acção estabelecem com o ambiente. Ao contrário do que a perspectiva mecanicista advoga, vários estudos (Brisswalter et al. 2002; Tomporowski, 2003) têm demonstrado uma facilitação decisional à medida que os atletas vão acumulando fadiga. Na investigação a maioria das tarefas experimentais comprometem a replicação das condições específicas da competição, o que coloca algumas reservas na generalização das suas conclusões. Num estudo realizado por Esteves e Araújo (em preparação) foi analisada a influência do tempo de prática sobre a tomada de decisão, em situações de 3x3, realizadas em diferentes momentos de sessões de treino de uma equipa de basquetebol. Os resultados revelaram uma melhoria do desempenho decisional em paralelo com o aumento do tempo de exercício (fadiga). A melhoria do índice de qualidade decisional (0.31± 0.13 para 0,36± 0.18) é explicada pela teoria dos sistemas de acção como uma modificação dos processos de auto-organização dos sistemas funcionais de forma a manter a eficácia na tarefa. Conclui-se que, apesar das condicionantes da fadiga, um atleta assegura a concretização de um objectivo numa tarefa, mediante a auto-regulação permanente dos seus sistemas de acção.