73 Artigo Educação para a mídia como política pública: experiência inglesa e proposta brasileira Comunicação&política, v.25, nº1, p.073-100 Educação para a mídia como política pública: experiência inglesa e proposta brasileira Alexandra Bujokas de Siqueira * 1. Introdução U ma série de acontecimentos recentes no Brasil têm apon- tado a centralidade que as mídias já ocuparam na vida pública nacional. Os últimos debates sobre a regulamen- tação da TV digital e a polarização de posições em torno da criação da ANCINAV (Agência Nacional de Cinema e Audiovisual) são alguns deles, que trazem ao menos três grandes conjuntos de dis- cussões caras à nossa democracia. Em primeiro lugar, renovam as tensões entre a função de serviço público e a histórica hegemonia do modelo de negócios na exploração das tecnologias de mídia. Em segundo lugar, trazem à tona os novos desafios postos pela convergência de mídias, resultado da conversão para as platafor- mas digitais, em que, ao menos potencialmente, os usuários serão tanto receptores quanto produtores de conteúdo 1 . Em terceiro lu- * Jornalista, doutora em Educação, professora de Pedagogia e Jornalismo da Universidade do Sagrado Coração (Bauru, SP), pós-doutoranda em Media Studies pela Open University, Inglaterra. 1 Como as plataformas digitais permitem a circulação de dados em duas vias, as televisões - pre- sentes em cerca de 90% dos domicílios – poderão se tornar computadores modestos, mas funci- onais o suficiente para permitir a inclusão digital. Nesse sentido, o espectador poderá interagir com os canais de rádio, TV e teletextos, tornando-se também um produtor de conteúdos, desde que domine as habilidades básicas para ler e escrever nessas linguagens.