IICT | b HL | blogue de História Lusófona | Ano VI | Março 2011 33 As imagens e o controle da difusão de idéias em Portugal no ocaso do Antigo Regime * Luiz Carlos Villalta ** As adorações cegas do vulgo ignorante não são para estimar, pois freqüentemente se tributam aos ídolos da sabedoria que de- la somente têm a aparência. (Teodoro de Almeida, Recreação Filosófica, Prólogo, 1751, vol. 1). Louis-Sébastien Mercier (1740-1814), na França de fins do século XVIII, falava sobre os efeitos produzidos pelas imagens e pelos panfletos en- tão em circulação. Considerava que as primeiras circulavam em maior número e triunfavam junto ao público, enquanto os últimos eram restri- tos a um número pequeno de leitores e seriam incompreensíveis para a multidão 1 . Em Lisboa, autoridades vinculadas à Inquisição, à censura e à Intendência Geral de Polícia, mais ou menos na mesma época, verifi- cavam a circulação de imagens impressas e avaliavam seus riscos para a corrosão da ordem moral, religiosa e política, considerando seu pos- sível impacto diferenciado junto aos leitores quando comparadas aos * Este ensaio traz resultados parciais do estágio pós-doutoral desenvolvido na Universi- dade de Lisboa, sob a supervisão do Prof. Rogério Fernandes, e na École des Hautes Études em Sciences Sociales, sob a supervisão de Roger Chartier, entre março de 2008 e março de 2009, com bolsa da CAPES. Uma primeira versão do mesmo foi apresenta- da como conferência, com o mesmo título, e debatida pelo Prof. Rogério Fernandes, no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, aos 07 de setembro de 2009. ** Professor Associado do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais. Bolsista de Produtividade do CNPq. 1 CHARTIER, Roger. Les origines culturelles de la Révolution française. Paris: Éditions du Seuil, 2008, p. 120.