Acento secundário e intensidade em português brasileiro Flaviane Romani Fernandes-Svartman 1 , Maria Bernadete Marques Abaurre 2 , Verónica Andrea González-López 3 1 Instituto de Estudos da Linguagem – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) 2 Instituto de Estudos da Linguagem – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), CNPq 3 Instituto de Matemática e Ciências da Computação – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) flaviane@gmail.com, abaurre@iel.unicamp.br, veronica@ime.unicamp.br Resumo. Trabalhos de cunho acústico, como os trabalhos de Gama Rossi (1998), Arantes & Barbosa (2002), Moraes (2003) e Arantes (2005), têm buscado, em correlatos acústicos como duração, freqüência fundamental, intensidade e configuração formântica, evidências para a existência do acento secundário em português brasileiro (doravante, PB). Tais trabalhos, com foco na implementação fonética da sílaba percebida como portadora de acento secundário, especificamente, e com base em dados experimentais constituídos por frases isoladas, afirmam não haver correlato estatisticamente robusto para a existência deste acento percebido pelos falantes de PB. Dado o fato de o acento secundário se constituir em um fenômeno de natureza suprassegmental, nossa hipótese é a de que os correlatos acústicos a ele associados se manifestam predominantemente em outra(s) sílaba(s) adjacentes à sílaba portadora de acento secundário e precedentes à sílaba portadora de acento primário (sílaba tônica) no âmbito da palavra prosódica. Os resultados preliminares deste trabalho, provenientes da análise de dados produzidos a partir de leitura de um mesmo texto por falantes de PB, trazem evidências de que a variação de intensidade manifestada na sílaba percebida como portadora de acento secundário, bem como nas outras sílabas a ela adjacentes, configura-se como um correlato robusto para a presença do acento secundário percebido auditivamente pelos falantes desta variedade de português. Há uma correlação entre os valores de intensidade da sílaba percebida como portadora de acento secundário e as outras no seu entorno e precedentes à tônica, o que permite postular que o valor médio da intensidade daquelas(s) sílaba(s) resulta em um preditor natural da intensidade da sílaba percebida como portadora de acento secundário. A metodologia deste trabalho consiste: (i) na análise do sinal acústico, em termos de intensidade dos núcleos silábicos precedentes à sílaba tônica de palavras prosódicas constantes de um corpus de PB nas quais foram identificadas perceptualmente ocorrências de acentos secundários por falantes nativos desta variedade; e (ii) na aplicação de análises estatísticas a estes dados, ajustando-se um modelo de regressão de efeitos fixos, cujos objetivos são: (i) extrair a influência do locutor; e (ii) estimar a intensidade média associada a ambos os processos: