O comércio de espécimes na formação das coleções de História Natural do Museu Paulista, 1894-1916 DIEGO AMORIM GROLA 1 1. Introdução Pretendemos, neste artigo, tratar das relações comerciais mantidas entre o Museu Paulista e negociantes de espécimes científicos – tanto aqueles sediados no exterior quanto os residentes no Brasil – durante a gestão de Hermann von Ihering. Almejamos, dessa forma, examinar como o Museu articulava esses atores de modo a fomentar a ação de comerciantes nacionais, fortalecendo assim um mercado que lhe permitia adquirir espécimes para suas atividades científicas e expositivas. Inicialmente, faremos algumas considerações introdutórias sobre a importância dos espécimes científicos para os museus e sobre as dificuldades enfrentadas pelo Museu Paulista para obter tais materiais. Depois, trataremos da existência de comerciantes residentes no país e, em seguida, da existência de relações comerciais com negociantes estrangeiros. Por fim, discorreremos sobre a atuação do Museu Paulista de Ihering no âmbito dessa rede de comércio. Aberto ao público em 1895, o Museu Paulista surgiu no bojo de um processo de ampliação dos espaços institucionais dedicados à ciência no Estado de São Paulo. 2 Durante a primeira fase de sua existência, correspondente à gestão do zoólogo Hermann von Ihering, entre 1894 e 1916, a instituição configurou-se como um museu enciclopédico – apresentava 1 Instituo Geológico – Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo. Mestrando em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Este trabalho apresenta resultados preliminares da pesquisa de metrado que vem sendo desenvolvida sob orientação da Profa. Dra. Heloisa Barbuy, docente do Museu Paulista/USP e do Programa de Pós-graduação em História Social da FFLCH/USP. 2 Além do Museu, no final do século XIX foram criadas no Estado as seguintes instituições: Instituto Agronômico de Campinas (1887), Instituto Bacteriológico de São Paulo (1892); Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (1893) e; Escola Politécnica (1895). Além disso, cabe citar a criação da Comissão Geográfica e Geológica (1886), instituição da qual se desmembraria o próprio Museu Paulista em 1894.