Universidade Estadual de Maringá – UEM Maringá-PR, 9, 10 e 11 de junho de 2010 – ANAIS - ISSN 2177-6350 _________________________________________________________________________________________________________ REPRESENTANDO SILÊNCIOS: A CRÍTICA NA PERSONAGEM INÊS DE TANIA JAMARDO FAILLACE Natalia Borges Polesso (PG-UCS) Cecil Jeanine Albert Zinani (UCS) O meu feminismo é mais ou menos espontâneo, original. Eu sempre achei que a mulher era o primeiro sexo e o homem, o segundo. Quando eu descobri que o mundo externo era tudo muito ao contrário, fiquei bastante surpresa. (Tania Jamardo Faillace) Quando a situação do Brasil era delicada, em função do golpe militar de 1964 e da subseqüente ditadura, Tania Jamardo Faillace 1 Chegara aos trinta e quatro anos. Acordara de manhã e se dissera: “Bem, estou mesmo instalada nos trinta”. Antes não tivera essa consciência. [...] Dissera-se sempre: “Bom, chego aos trinta e aí faço alguma coisa”. Chegara e escreve “O 35º ano de Inês” (1967). O conto ambienta-se no silêncio, na solidão e na incompreensão em que vive a personagem Inês: uma filha solteira numa família fortemente matriarcal, ao completar seus trinta e quarto anos. A narrativa segue o fio da inércia de Inês e de sua aparente resistência em mudar de vida. O conflito passa pela tentativa de concretização de seus desejos reprimidos, culpa pelo desregramento, pela violação própria, pela tradição imposta e, por fim, sua falsa emancipação, brutal, imatura e momentânea. Inês é uma possível representação feminina daquela época, o retrato de uma mulher que começa a se pensar enquanto ser humano com direitos e possibilidades de viver, mas sem conseguir fazê-lo. Desta forma, o olhar sobre o conto percorre a narrativa em busca dos elementos transgressores e que, de alguma maneira, subvertem a voz silenciada em Inês. Ao iniciar, a narradora marca a falta de movimento da personagem central e sua resignação perante a insatisfação de ser ela mesma, o que acentua essa insatisfação é a idéia de opressão aos desejos dela, o que se estende do início ao fim do conto. Já nas primeiras linhas, entende-se a exigência pessoal e externa de haver um movimento: 1 Tania Jamardo Faillace nasceu em 1939 e é porto-alegrense. Sua obra passa por romances (Fuga, 1964; Adão e Eva, Prêmio SEC, 1965; Mário/Vera-Brasil, 1983), livros de contos (O 35º ano de Inês, 1971; Vinde a mim os pequeninos, 1977; Tradição, família e outras estórias, 1978) e teatro (Ivone e sua família, 1978). Há também o livro Beco da Velha, que é composto de 19 volumes (7.748 páginas), romance jornalístico que levou aproximadamente 14 anos para ser elaborado. Tânia iniciou sua carreira na área jornalística em 1966