Anpuh Rio de Janeiro Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro – APERJ Praia de Botafogo, 480 – 2º andar - Rio de Janeiro – RJ CEP 22250-040 Tel.: (21) 9317-5380 FRAGMENTOS DA CULTURA ENTRE O SERRO E DIAMANTINA ATRAVÉS DE PRODUÇÕES AUDIO-VISUAIS – IMAGEM, NARRATIVA E MEMÓRIA NA ESTRADA REAL Andréa Casa Nova Maia Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MG 1. Introdução “A imagem torna presente aquilo que não está presente”, afirmou Francis Wolff recentemente numa palestra sobre o poder das imagens. Talvez por isso, o vídeo venha se apresentando cada vez mais como um importante suporte para as ciências sociais e históricas, seja como ferramenta de registro, fonte de pesquisa ou forma de divulgação do conhecimento produzido. Nessa comunicação, pretendo discutir algumas questões relativas à produção de um vídeo como ferramenta de registro e preservação de alguns aspectos da cultura tradicional e dos distintos modos de vida dos habitantes de pequenos povoados as margens do antigo caminho de tropas entre o Serro e Diamantina, Minas Gerais. Pretendo problematizar a seguir em que medida o vídeo torna-se uma espécie de museu, por dar a ver a relação específica do homem/sujeito com diferentes bens culturais característicos da região pesquisada – bens naturais (cachoeiras, rios, matas), materiais (formações rurais e urbanas, móveis, objetos de arte e trabalho) e imateriais (tradições e técnicas do “fazer” e do “saber fazer”, como construir, cozinhar, tecer; as expressões do sentimento individual ou coletivo, como manifestações folclóricas e religiosas, música, dança). Antes, porém, quero explicar-lhes de quais pesquisas e projetos ele partiu. A idéia da produção de um vídeo digital sobre a cultura e a vida cotidiana de alguns personagens que habitam as vilas e cidades à beira do antigo Caminho dos Diamantes, na região entre o Serro e Diamantina, surgiu a partir de um outro projeto anteriormente desenvolvido para a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) durante o ano de 2004. O projeto, intitulado “Paragens da Memória - História, Turismo Cultural e Educação Patrimonial na Estrada Real – trecho do Vau a Mendanha (município de Diamantina)”, possibilitou meu conhecimento da região. À época, o recurso à metodologia da história oral ajudou a penetrar no universo das representações