Sintomas Depressivos em Idosos e sua Relação com o Desempenho no Teste Wisconsin de Classificação de Cartas (WCST) *Sabrina Gomes de Souza, * Fabrícia da Silva Pereira, * Guilherme Welter Wendt, *Luciana Gulles Mallet e **Irani Iracema de Lima Argimon * Acadêmica de Psicologia. Bolsista de Iniciação Científica BPA/PUCRS. E-mail: sabrinagsr@yahoo.com.br * Acadêmica de Psicologia, Auxiliar de Pesquisa do Grupo. * Acadêmico de Psicologia, bolsista do Programa PIBIC/CNPq. *Acadêmica de Psicologia, Auxiliar de Pesquisa do Grupo. **Psicóloga, Doutora em Psicologia e Orientadora do Grupo. E-mail: argimoni@pucrs.br Faculdade de Psicologia – Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS Grupo de Pesquisa Avaliação e Intervenção Psicológica no Ciclo Vital Avenida Ipiranga, 6681, Prédio 11, Sala 925. CEP 90619-900. Fone 3320 3500 r. 7739 Porto Alegre – RS O aumento expressivo do contingente de idosos nos últimos tempos sinaliza a importância de estudos voltados para essa população. O processo do envelhecimento é compreendido como um fenômeno biopsicosocial, tendo em vista aspectos não apenas biológicos, mas também relacionado ao estilo de vida (ARGIMON e STEIN, 2005; DE VITTA, NERI e PADOVANI, 2005). Atualmente, os transtornos depressivos apresentam-se como um problema de saúde pública importante. A Organização Mundial da Saúde refere que essa doença ocupa posição de destaque, sendo a mais prevalente entre idosos (BAPTISTA et al, 2006). O índice de prevalência entre idosos tende a aumentar, estando, em muitos casos, associado ao declínio cognitivo (PARMALEE, KATZ e LAWTON, 1989; XAVIER, 2001). Uma forma de avaliar déficits cognitivos é através de instrumentos específicos, dentre eles, o Teste Wisconsin de Classificação de Cartas (WCST). Esse instrumento foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a capacidade de raciocínio abstrato e a capacidade para modificar as estratégias cognitivas em resposta ao ambiente, solução de problemas e flexibilidade cognitiva (WECHSLER, 1981; CUNHA et al., 2005). Tendo em vista o exposto, objetiva-se com o presente estudo verificar se existe prejuízo no desempenho cognitivo em idosos com sintomas depressivos. Para a coleta dos dados foi utilizada uma Ficha de Dados Sócio-demográficos, além de outros instrumentos: o Teste Wisconsin de Classificação de Cartas (WCST) e a Escala de Depressão de Beck (BDI). Participaram do estudo 310 idosos da população geral da cidade de Porto Alegre, desses, 77,7% são do sexo feminino. A idade dos idosos variou de 60 à 88 anos (d.p=6,38), a média de idade foi de 69,66 anos. Quanto ao estado civil, 45,8% são casados, 29,7% são viúvos e demais condições 16,2%. Em relação à escolaridade, o tempo médio de estudo foi de 9,29 anos (d.p=4,59). Quanto aos sintomas depressivos, 60,7% apresentam sintomas mínimos, 25,3% leve e 13% sintomas de moderado à grave. No que diz respeito ao uso de remédios, (81,4%) dos idosos fazem uso de algum tipo de medicação. Pôde-se verificar através do teste de correlação de Pearson, correlação inversamente proporcional fraca (r²= -0,17), significativa (p= 0,001) entre o número de categorias completadas no WCST e os sintomas depressivos através do BDI. Dessa maneira, na medida em que os sintomas depressivos aumentam, diminuem o número de categorias completadas, sugerindo, que idosos com sintomas depressivos elevados completam menos categorias no WCST. De forma semelhante, houve correlação positiva fraca (r²= 0,19) altamente significativa (p=0,000) entre erros perseverativos no WCST e sintomas