07145 HESITAÇÕES NO FLUXO DISCURSIVO DE CRIANÇAS: UM ESTUDO PRELIMINAR HESITATION IN CHILD DISCOURSE: A PRELIMINARY INVESTIGATION Cristyane de Camargo Sampaio Villega, Lourenço Chacon, Larissa Berti – Câmpus de Marília – Faculdade de Filosofia e Ciências – Curso de Fonoaudiologia – cristyanesampaio@hotmail.com – Proex Palavra chave: Hesitação; aquisição da linguagem; fluência Keywords: Hesitation; language acquisition; fluency 1. INTRODUÇÃO A fala tem como característica geral a descontinuidade, ou seja, é constituída de marcas lingüísticas que interrompem o seu fluxo. Exemplos dessas marcas: pausas silenciosas; pausas preenchidas; alongamentos; repetições; falsos inícios; gaguejamentos. Essas diferentes marcas podem ocorrem combinadas na fala, quando, numa mesma ocorrência de descontinuidade, se verifica a associação de pelo menos duas delas. Os estudos lingüísticos e psicolingüísticos fornecem diferentes interpretações sobre o estatuto dessas marcas no funcionamento da linguagem, conforme a filiação teórica adotada. Na década de 50 e 60, as interpretações dadas aos elementos descontinuadores da fala, designados como fenômenos hesitativos, relacionavam-se a questões de codificação lingüística. Na década de 70 em diante, apesar de alguns estudos ainda enfocarem a ligação entre fenômeno hesitativo e questões de codificação linguística, nova interpretação começa a ser dada aos elementos descontinuadores da fala. Estes últimos estudos começam a vincular as marcas hesitativas não só ao planejamento cognitivo da fala, mas, também, a aspectos subjetivos ou interacionais. Um exemplo de estudo que vincula a presença de marcas hesitativas a aspectos subjetivos ou interacionais é o de Scarpa e Ramos (2007). Com base em narrativas orais infantis de crianças entre 2:2 e 4:4 anos, as autoras destacam que as marcas hesitativas são constitutivas da linguagem e tem papel de formulação e de reformulação dos enunciados, permitindo à criança errar e deslizar por outras cadeias. Ainda para as autoras, a hesitação é um fenômeno decorrente da disfluência, e que permite mostrar, na fala da criança, seus desejos, ansiedades e acontecimentos do dia-a-dia. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E OBJETIVOS 2.1 Fundamentação teórica Estudos mais atuais sobre o fenômeno hesitativo desenvolvidos pelo Grupo de Pesquisa Estudos sobre a linguagem (GPEL/CNPq), tais como os de Chacon (2005), Nascimento (2005), Nascimento e Chacon (2006 e 2008) e Vieira (2009) tem procurado interpretar o funcionamento desse fenômeno de um ponto de vista discursivo. Nessa interpretação, os pesquisadores do GPEL vêm considerando as hesitações como marcas das negociações do sujeito com os outros constitutivos do (seu) discurso. É a partir desse referencial teórico que buscaremos interpretar o funcionamento das marcas lingüísticas na produção oral de crianças. No entanto, uma primeira caracterização dessas marcas em crianças torna-se necessária, uma vez que as investigações do GPEL, até o presente momento, têm se voltado fundamentalmente a fala adulta – normal ou patológica. É esta a proposta do presente trabalho. 2.2 Objetivos Um primeiro objetivo deste estudo é verificar a existência (ou não) de marcas hesitativas na produção oral de crianças com desenvolvimento típico de linguagem, especificamente na produção oral