11.12.00 IDENTIDADE E AUTO-ESTIMA DO BRASILEIRO Luiz Carlos Bresser-Pereira É indispensável navegar entre dois escolhos: o do mito das singularidades do que estudamos, como no caso das pretensas identidades nacionais, e a irrelevância de um relativismo cultural à outrance para quem, afinal, é tudo o mesmo. (Evaldo Cabral de Mello, “História no Confessionário” (2000). Notas para a intervenção na mesa redonda “Identidade e Auto-Estima do Brasileiro”, no simpósio “Freud: Conflito & Cultura; Brasil: Psicanálise & Modernismo”. Museu de Arte de São Paulo, 14 de novembro, 2000. Eu conversava com duas notáveis escritoras brasileiras sobre nosso tema permanente – o Brasil – quando uma delas disse que nunca, na nossa história, a auto-estima dos brasileiros esteve tão baixa. Seus dois interlocutores lhe disseram que ela estava sendo demasiado pessimista. Há cinqüenta ou há cem anos nossa auto-estima era menor do que hoje; há duzentos anos, nem nos imaginávamos como nação. Mas não há dúvida de que nos últimos vinte anos nossa identidade nacional vem se esgarçando, ao invés de se afirmar, como o maior nível de desenvolvimento econômico poderia levar a prever. Na verdade, a auto-estima de um povo não depende apenas do seu nível de desenvolvimento econômico e cultural: depende também da visão mais ou menos positiva que esse povo tenha do futuro. Nestes últimos cinqüenta anos houve progresso no Brasil, elevou-se o nível do desenvolvimento do país, e em função disto nossa auto-estima deveria ter aumentado. Entretanto, como nossa economia quase estagnou desde 1980, perdemos a confiança no futuro, e em conseqüência nos sentimos auto- desvalorizados, a ponto de minha amiga ter feito aquela afirmação tão pessimista. Auto-estima e identidade nacional são dois conceitos interdependentes. Neste trabalho vou procurar concentrar minha atenção na auto-estima, porque a identidade nacional está marcado por uma carga excessiva de preconceitos. Mas, como espero que fique claro, essa não será uma forma de evitar o problema, mas a