RETOMADA DA REVOLUÇÃO NACIONAL E NOVO DESENVOLVIMENTISMO Luiz Carlos Bresser-Pereira Capítulo 20 de Desenvolvimento e Crise no Brasil: História, Economia e Política de Getúlio Vargas a Lula. São Paulo: editora 34, 2003, 5ª. Edição atualizada. Para que este novo pacto político que está surgindo seja realmente popular e nacional a adoção de um novo desenvolvimentismo e de um nacionalismo moderno ou do patriotismo será essencial. A palavra ‘nacionalismo’ foi prejudicada por radicalizações fascistas, que foram muito além do objetivo que lhe é próprio de afirmação do estado nacional, mas mesmo assim continuarei a usá-la como sinônimo de uma expressão menos controversa: o patriotismo. O nacionalismo é a forma através da qual as sociedades modernas se auto-definem como nação, e, a partir daí, esperam que seus governos, nas relações com os demais países, defendam o trabalho e o capital nacionais. É a ideologia através da qual uma nação ou um conjunto de nações legitima a formação de um Estado- nação; é a prática da defesa do interesse nacional usando como ferramenta as instituições e a organização do estado nacional. É impossível entender o comportamento dos países democráticos modernos se não considerarmos neles um forte componente nacionalista. O nacionalismo moderno adota um conceito amplo de nação, que tem caráter antes histórico e político. Mesmo países ou estados-nação como a França, apesar de sua aparente homogeneidade, não têm a unidade étnica e cultural que um conceito restrito de nação pressupõe. Existe uma nação brasileira, porque os brasileiros assim se auto-definem, embora aqui não exista unidade étnica, mas multiplicidade e miscigenação. Nos termos propostos por Benedict Anderson, nação é “uma comunidade política imaginada” – imaginada pelos seus membros como sendo soberana. É uma comunidade política limitada