1 Perspectivas sobre o comércio no Second Life pelos próprios residentes (comerciantes e produtores de conteúdo) Martine Bernardo*, José Edgar Guerra*; Carlos Rabadão**, Ramiro Gonçalves*, Leonel Morgado*** * Dep. Engenharias, UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal ei05323@student.estg.ipleiria.pt, jedguerra@gmail.com, ramiro@utad.pt ** ESTG, IPLeiria – Instituto Politécnico de Leiria, Leiria, Portugal crab@estg.ipleiria.pt *** GECAD – Grupo de Engenharia do Conhecimento e Apoio à Decisão, UTAD, Vila Real, Portugal leonelm@utad.pt Resumo: Este artigo apresenta um levantamento de opiniões de residentes no Second Life, nomeadamente comerciantes e produtores de conteúdo, sobre a actual situação do comércio electrónico neste mundo virtual e as visões que possuem sobre a evolução futura do comércio electrónico através deste meio. Palavras-chave: comércio electrónico; e-commerce; v- commerce; ambientes virtuais; mundos virtuais Second Life 1. INTRODUÇÃO No âmbito de projectos de investigação em curso 1 sobre comércio electrónico no mundo virtual Second Life® (SL), sentimos a necessidade de realizar um estudo que nos permitisse obter uma panorâmica das visões sobre este tema detidas por alguns dos utilizadores mais experientes, presenças regulares deste. Para tal, encetámos um levantamento de opiniões por meio de entrevistas, através do qual pretendemos esclarecer aspectos tais como a motivação e as estratégias que levam à realização de actividades comerciais e empresariais neste mundo virtual tridimensional. O tipo de comércio que actua com maior destaque no SL, segundo um estudo da Repères-SecondLife, sobre hábitos de compras no SL, relaciona-se essencialmente com a aquisição de produtos para o próprio SL (Repères-Second Life, 2006). Criação de roupas, cabelos e peles para avatares, casas e respectivo mobiliário, veículos, são pois negócios em destaque. Existe, no entanto, outro tipo de negócio que está a revelar-se rentável, nomeadamente a prestação de serviços. Entre os serviços passíveis de prestar comercialmente, encontram-se: promotores de eventos, bailarinos, disc jokeys, relações públicas (Second Life, 2008a). Algumas empresas conseguem efectivar o seu negócio transpondo-o para a vida real como é o caso da Dell que permite que o utilizador escolha o equipamento que irá compor o computador que pretende, podendo receber em casa o mesmo modelo (Redherring - the business of technology, 2006). A Siemens permite experimentar o software dos seus produtos como forma de promover a sua fácil utilização e assim cativar mais clientes (Siemens PLM Software, 2008). Mesmo fora da área informática começam a surgir serviços que utilizam o virtual como forma de aquisição de produtos reais. Por exemplo o Starfruit permite comprar em Second Life chocolates, flores, jóias e outras prendas que são depois entregues fisicamente ao destinatário real das mesmas (Starfruit, 2008). As oportunidades para uma empresa ser rentável no SL são actualmente limitadas, grande parte devido à influência da empresa detentora da plataforma tecnológica deste mundo, Linden Lab, que pode mudar ou impor regras de actuação comercial sem aviso prévio (como se verificou nos casos recentes de ilegalização de jogos de azar (IDG Now, 2007), de serviços bancários (Second Life, 2008b) ou mudança das regras de utilização das próprias marcas “Second Life” e “SL” (Gwyn´s home, 2008) mas igualmente por ser uma plataforma recente e ainda em desenvolvimento onde muito pouco se sabe sobre comércio electrónico. Apesar disso, algumas empresas que marcam presença neste mundo cativam os seus clientes com eventos e promoções como forma de divulgar e publicitar os seus serviços e/ou produtos, temos como exemplo a IBM (IBM Research, 2007). Uma grande parte dos utilizadores, deste mundo virtual, são criadores ou produtores de conteúdos que acabam por criar o seu próprio negócio muitas vezes associando-se a outros utilizadores formando uma equipa ou empresa vocacionada para produtos e/ou serviços in-world. Concordamos com uma opinião expressa por alguns dos residentes entrevistados: é necessário um investimento inicial