XXIII Encontro Nac. de Eng. de Produção - Ouro Preto, MG, Brasil, 21 a 24 de out de 2003 ENEGEP 2003 ABEPRO 1 Estudo das relações entre as empresas do pólo industrial moveleiro de Votuporanga (SP) Eliciane Maria da Silva (EESC/USP) eliciane@ prod.eesc.sc.usp.br Muriel de Oliveira Gavira (EESC/USP) murielgavira@yahoo.com Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar como os conceitos de aglomeração de pequenas e médias empresas são colocados em prática no pólo industrial de móveis de Votuporanga (SP). Para tanto realizou-se uma síntese dos conceitos sobre aglomerações locais de empresas e dos benefícios gerados pela inter-relação em atividades coletivas; além disso, apresentou-se a origem e evolução das empresas moveleiras de Votuporanga. Por fim, desenvolveu-se uma pesquisa de campo baseada nos ganhos em eficiência coletiva que são produzidos pela formação de clusters a fim de aferir o grau de cooperativismo entre as empresas. Os resultados revelaram que os empresários possuíam relações que se assemelhavam com os conceitos de redes sociais e agrupamento emergente. Algumas vantagens competitivas eram obtidas por meio de atividades articuladas. A redução em custos de transportes, tanto de matéria-prima (empresa fornecedora) como de produto acabado ao mercado consumidor, e o surgimento de uma classe de trabalhadores assalariados com qualificações e habilidades específicas são exemplos que não seriam alcançadas por meio de atuação isolada de cada empresa. Palavras-chave: Aglomerações, Pólo industrial de móveis, Ganhos em eficiência coletiva, Clusters, Agrupamento emergente. 1. Introdução Desde o início do século XX produtos manufaturados brasileiros vêm sofrendo uma crescente evolução e diversificação. Este fato justifica-se por algumas razões, dentre as quais destacamos: a expansão tecnológica, evolução da globalização e fusões empresariais. Neste âmbito, observa-se uma limitação (freqüentemente de custos) para reformular os processos produtivos e tornar o desenvolvimento e fabricação de produtos cada vez mais competitivos, especialmente no caso de pequenas e médias empresas. Desta forma, existem atualmente iniciativas de políticas regionais e locais centralizadas em agrupamentos de pequenas e médias empresas, com a finalidade de superar algumas deficiências de competitividade. Estas políticas são baseadas em experiências internacionais bem sucedidas de industrialização local em termos de crescimento econômico, competitividade internacional e geração de emprego. Cita-se, por exemplo, a experiência dos distritos industriais, principalmente na chamada Terceira Itália. O processo de mudança ocorrido nos setores têxtil e vestiário promoveu a criação de firmas de pequeno e médio porte, com alta especialização da produção e elevado nível de interação e cooperação entre as empresas, caracterizando os chamados "distritos industriais italianos". Estas empresas passaram a se adequar ao mercado consumidor internacional, com a reestruturação tecnológica, mudanças organizacionais, mudanças de tipo de produto e de nicho de mercado (IPEA, 2001). No Brasil, existem algumas regiões que possuem aglomeração regional e setorial de pequenas e médias empresas, especialmente nas indústrias têxtil, de calçados e de móveis.