ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA – REFLEXÃO COMO COMPONENTE DA FORMAÇÃO DOCENTE Junia Claudia Santana de Mattos Zaidan (UFES) Deived dos Santos Schmildt (UFES) Vitor Cardoso Pimenta (UFES) Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira. 1. Introdução Este trabalho é uma tentativa de olhar para aspectos específicos da prática docente na área de língua estrangeira (LE) com o intuito de buscar nos mesmos possíveis traços da reflexão do professor. Acreditamos, pois, ser necessária uma breve digressão a fim de justificar nosso interesse no processo reflexivo e na interação entre professor e aluno. Por muitos anos se acreditou que a aprendizagem de uma LE em sala de aula se beneficiaria da descoberta de um método eficaz e infalível, que contemplaria o processo de ensino e aprendizagem em toda sua complexidade e diversidade. Grosso modo, caberia então aos psicolingüistas e lingüistas aplicados propor uma teoria que explicasse satisfatoriamente o processo de aquisição de LE, um “método eficaz” e, conseqüentemente, aos professores, ensinar de acordo com tal teoria e método. Nesse sentido, supunha-se, tanto o ensino quanto a aprendizagem bem sucedidos teriam como norteadores um conjunto finito e mensurável de regras que, se fielmente seguidas, garantiriam o sucesso no final do processo.