A Semana de 22 através de uma viagem pelo interior de São Paulo 1º congresso de Musicologia Histórica de Ribeirão Preto “Linguagens Musicais e Linguagens da Música” Diósnio Machado Neto O fim da utopia da modernidade Eduardo Subirats afirma categoricamente que a utopia da modernidade morreu. A causa mortis, segundo o autor espanhol, foi a impossibilidade das suas concepções estéticas e éticas não mais surgirem com “energia e criatividade, tampouco capacidade crítica frente ao mundo” (1986, p.11). Interessante notar o paralelismo da sentença de Subirats com as idéias de Adorno sobre as vanguardas, publicadas em 1955. Trinta anos antes de Subirats, quando o conceito de pós-modernidade era inconcebível, quando Darmstad era a Meca ocidental da música de vanguarda, o filósofo alemão vaticinava que a “gratuidade do radicalismo levaria [a vanguarda] à nivelação e a neutralidade” (apud FUBINI, 1997, p.475). Por sua vez, Edgar Morin (2000) observa que essa “nivelação e neutralidade” seria um processo de enfraquecimento das rupturas baseado no princípio da circularidade. Esse princípio é inerente a própria concepção do pensamento científico que, entre outros fatores, debilita continuamente as estruturas dominantes pelas infinitas possibilidades de associação, realizadas pelo homem, dos fenômenos e propriedades do mundo natural ou social, ou seja, a sua infinita interação que resulta no surgimento de processos atomizados de interpretações retroativas da causa-efeito. Esse estado indeterminado e interminável constitui a base para a explosão potencialmente infinita das imagens do mundo e conseqüentemente a formação constante de “novas” identidades. Como diz Vattimo, seria a preponderância do “pensamento débil”, ou seja, a impossibilidade de falarmos sem o uso de metáforas, “em termos que não são objetivos, nem descritivos, que não espelham os estados das coisas” (VATTIMO, 2004, p.30). Essa “abertura para outros mundos”, pode ser vista, por exemplo, “no enfraquecimento do sentido de realidade que se produz nas ciências que estudam entidades cada vez mais inconciliáveis com as coisas da nossa experi ência cotidiana” (Ibidem, p.99). Ao mesmo tempo torna impossível a compartimentação do conhecimento, pois todo o sistema conceitual suficientemente rico, como diz Morin, “inclui necessariamente questões que ele não pode responder através dele mesmo, mas que só pode responder referindo-se ao exterior desse sistema” (MORIN, 2000, p.60). No entanto, o meta-sistema não elimina a fragilidade do pensamento, ao contrário, amplia-o, pois mergulha o conceito na complexidade e na aleatoriedade advinda da singularidade individual (Ibidem, p.40). Desta feita, viveríamos uma época de egocentrismos ecêntricos...crise é a palavra usada pelos pessimistas para a constatação que a